Oncoclínicas (ONCO3) aceita crédito da Mak, que ganha assento no Conselho

Companhia vai receber até R$ 150 milhões para comprar remédios e normalizar atendimentos.

Publicado em 16/04/2026 às 11:15h Publicado em 16/04/2026 às 11:15h por Marina Barbosa
Oncoclínicas teria adiado atendimentos por falta de remédio (Imagem: Shutterstock)
Oncoclínicas teria adiado atendimentos por falta de remédio (Imagem: Shutterstock)
Sem dinheiro para pagar suas dívidas, a Oncoclínicas (ONCO3) decidiu tomar um empréstimo emergencial com a gestora americana Mak Capital.
💲 O crédito será de R$ 100 milhões a R$ 150 milhões, a depender do total de garantias que a rede de tratamento oncológico conseguir reunir.
O objetivo é garantir a compra de medicamentos junto à OncoProd e, assim, preservar a geração de receitas das companhias, assim como a continuidade da sua cadeia de fornecimento essencial.
Também há uma expectativa de que, com isso, a Oncoclínicas possa regularizar o atendimento dos pacientes que tiveram tratamentos adiados nas últimas semanas devido à falta de remédios e suporte.
A empresa fechou o ano passado com um prejuízo de R$ 3,65 bilhões, além de uma dívida financeira líquida de R$ 2,9 bilhões.
Por isso, ao apresentar o balanço, admitiu que não tinha condições de cumprir com os compromissos financeiros assumidos no curto prazo e falou até em "incertezas significativas da continuidade operacional". Além disso, foi à Justiça pedir proteção contra o vencimento antecipado de dívidas nesta semana.

As condições da Mak Capital

Dona de uma fatia de 6,31% da rede de tratamento oncológico, a Mak Capital já havia oferecido um aporte de até R$ 500 milhões para o negócio. Porém, em troca, exigia a eleição de um novo Conselho de Administração.
As empresas decidiram, então, avançar com um empréstimo emergencial de R$ 150 milhões nesta quinta-feira (16), que exigirá uma mudança menos brusca na administração da Oncoclínicas.
O fundador e ex-CEO da Oncoclínicas, Bruno Lemos Ferrari, renunciou aos cargos de membro e vice-presidente do Conselho de Administração, em cumprimento às condições apresentadas pela Mak Capital.
O assento agora será ocupado por Mateus Affonso Bandeira. Indicado pela gestora americana, o executivo também integra os Conselhos de Administração de Vibra (VBBR3), Sabesp (SBSP3), Intelbras (INTB3) e CVC (CVCB3), ocupando a presidência do board nesta última.
O diretor-presidente da Oncoclínicas, Carlos Gil Ferreira, também assumiu um assento no board, já que outro conselheiro havia renunciado na semana passada (Marcelo Gasparino).
Segundo a Oncoclínicas, o mandato dos novos conselheiros vai até a assembleia geral de acionistas convocada para o próximo dia 30 de abril.
Além de garantir um assento do Conselho para a Mak Capital, a Oncoclínicas terá que oferecer garantias ao empréstimo da gestora americana. Por isso, vai negociar o assunto com planos de saúde, hospitais e seguradoras parceiras. A ideia é oferecer os recebíveis da sua rede credenciada como garantia do empréstimo.

Em busca de uma saída

A Oncoclínicas passou a analisar a oferta da Mak Capital depois que chegaram ao fim as negociações sobre a criação de uma nova empresa com Porto (PSSA3) e Fleury (FLRY3).
O negócio previa um aporte de até R$ 1 bilhão na Oncoclínicas, com a transferência das suas unidades de tratamento oncológico para uma nova empresa, gerida por Porto e Fleury. Contudo, não foi para a frente.
As companhias anunciaram o fim das negociações na segunda-feira (13), sem explicar o que travou o acordo. A Oncoclínicas disse apenas que, com isso, passaria a avaliar propostas que pudessem endereçar a sua situação econômico-financeira.

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