O Bitcoin (BTC) chegou ao ponto que antecedeu as maiores altas da história; e agora?

A criptomoeda opera em queda nesta segunda-feira (13), negociado na casa dos US$ 62.500, pressionado pela aversão global ao risco.

Publicado em 13/07/2026 às 15:45h Publicado em 13/07/2026 às 15:45h por Matheus Silva
No pior momento do dia, a criptomoeda chegou a recuar 2,6% (Imagem: Shutterstock)
No pior momento do dia, a criptomoeda chegou a recuar 2,6% (Imagem: Shutterstock)
🚨 O Bitcoin (BTC) opera em queda nesta segunda-feira (13), negociado a cerca de US$ 62.500, pressionado pelo aumento da aversão a risco nos mercados globais após a escalada do conflito entre EUA e Irã. 
No pior momento do dia, a criptomoeda chegou a recuar 2,6%, para US$ 62.478, antes de reduzir as perdas. 
O Ether (ETH), segundo maior token do mercado, também caiu 2,6%. No acumulado do mês, porém, o Bitcoin ainda registra ganho de quase 5%, segundo dados da plataforma Coingecko.
O movimento devolveu o Bitcoin para abaixo de sua média móvel de 200 semanas, referência técnica historicamente associada a pontos de inflexão em ciclos de baixa prolongados.
No acumulado dos últimos sete dias, o desempenho permanece praticamente estável, refletindo a dificuldade do mercado em definir direção diante das incertezas geopolíticas e macroeconômicas que dominam o cenário atual.

Fechamento de Ormuz pressiona ativos de risco

O gatilho para a pressão vendedora neste fim de semana foi o anúncio do Irã de fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo, após novos confrontos com os EUA. 
O petróleo Brent subiu 4,4%, superando US$ 79 o barril, com a escalada amplificando os temores de interrupções no fornecimento global.
A alta da commodity reacendeu o temor de uma inflação mais resistente, cenário que pode levar o Fed (Federal Reserve) a manter os juros elevados por mais tempo. Historicamente, esse tipo de combinação costuma reduzir o apetite por ativos de maior risco, como as criptomoedas.

Analistas dividem os olhares entre o prêmio geopolítico e o CPI

Gil Herrera, diretor de estratégia e operações da Bitget para a América Latina, avalia que os investidores estão navegando entre duas narrativas simultâneas. 
"A primeira é o prêmio de risco geopolítico, que sustenta a alta do petróleo, das ações ligadas ao setor de defesa e dos ativos tradicionais de proteção. A segunda é a divulgação do CPI dos EUA na terça-feira, que será determinante para avaliar se o aumento dos preços da energia começará a alterar as expectativas para a política monetária do Federal Reserve", disse.
Segundo Herrera, um CPI acima do esperado tende a elevar os rendimentos dos Treasuries (títulos do Tesouro americano) e pressionar ativos de risco, incluindo as criptomoedas. 
Uma leitura mais fraca, por outro lado, pode reforçar a percepção de que a alta do petróleo representa apenas um choque temporário de oferta, preservando o apetite por ativos digitais.
A avaliação de Alex Kuptsikevich, analista-chefe de mercado da FxPro, aponta que o nível atual da média de 200 semanas carrega relevância histórica. 
"Historicamente, tocar a média móvel de 200 semanas serviu como um sinal razoável de que a parte principal da correção do Bitcoin está chegando ao fim e tem sido um bom ponto para montar posições de longo prazo de forma gradual", escreveu em nota, mas ponderou: "É importante entender que essa narrativa pode mudar rapidamente e não promete uma recuperação veloz."
Tony Sycamore, analista da IG Australia, reforça a centralidade do CPI para os próximos movimentos. Na visão dele, um resultado acima do esperado provavelmente reforçaria as apostas em uma alta de juros pelo Fed antes do fim do ano, o que pesaria diretamente sobre o Bitcoin. 
Uma leitura em linha ou mais fraca, contudo, daria suporte aos comentários anteriores de Kevin Warsh, presidente do Fed, de que as pressões inflacionárias estão arrefecendo.
Os analistas da Bitfinex avaliam que o ambiente macroeconômico seguirá como o principal vetor de influência para o Bitcoin nos próximos dias. Segundo a corretora, a criptomoeda conseguiu preservar sua faixa de negociação mesmo diante da maior venda de ações da história da Strategy, da escalada das tensões no Oriente Médio e das divergências internas no Federal Reserve.
A Bitfinex destaca que, embora julho costume ser um mês historicamente positivo para o Bitcoin, esse fator perdeu relevância diante dos eventos desta semana. O desempenho da criptomoeda, segundo a corretora, segue fortemente condicionado à divulgação do CPI e às negociações em torno da segurança da navegação no Estreito de Ormuz.

ETFs de Bitcoin registram 1ª entrada positiva em 8 semanas

Em meio ao cenário adverso, há um sinal construtivo para a perspectiva da criptomoeda no médio prazo. Os ETFs de Bitcoin nos EUA registraram US$ 197 milhões em entradas líquidas na semana encerrada em 10 de julho, interrompendo uma sequência de oito semanas de resgates e marcando a primeira leitura semanal positiva desde maio. 
O movimento encerrou um ciclo de vendas institucionais intensas que culminou em US$ 4,5 bilhões em saídas líquidas ao longo de junho.
A retomada das entradas indica que investidores institucionais estão menos defensivos em relação ao ativo, o que pode melhorar as condições de mercado nas próximas semanas. 
📈 O mercado acompanhará de perto se essa tendência se confirma em uma segunda semana consecutiva de fluxo positivo, o que poderia reforçar os sinais de recuperação da demanda institucional.

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