MP do frete: Senado aprova proteção aos caminhoneiros, mas sem piso de R$ 5 mil

Categoria pressionava com greve geral dos caminhoneiros se o "Piso do Frete" perdesse a validade.

Publicado em 14/07/2026 às 19:30h Publicado em 14/07/2026 às 19:30h por Lucas Simões
Senadores retiram da proposta final o estabelecimento do piso salarial em R$ 5 mil por mês (Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Senadores retiram da proposta final o estabelecimento do piso salarial em R$ 5 mil por mês (Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Diante da pressão exercida pelos caminhoneiros nas últimas semanas, a Medida Provisória do Frete teve sua aprovação no Senado Federal na noite desta terça-feira (14), pouco antes de o texto perder a sua validade no dia 16 de julho de 2026.
Bastando apenas a assinatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a Medida Provisória do Frete traz uma série de mecanismos que reforçam a proteção aos trabalhadores do transporte rodoviário, como o cadastramento das operações de transporte e ferramentas de fiscalização do piso mínimo do frete. 
Afinal de contas, o presidente da Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores), Wallace Landim, conhecido como Chorão, barganhava com o governo Lula a aprovação da medida, em troca de se evitar uma paralisação nacional dos caminhoneiros.
Embora a categoria dos caminhoneiros possa celebrar certas garantias de direitos, evitando práticas abusivas no setor, os senadores retiraram da proposta final o estabelecimento do piso salarial em R$ 5 mil por mês dos trabalhadores rodoviários em longas distâncias.
Segundo os bastidores em Brasília, a retirada dos R$ 5 mil na Medida Provisória do Frete se deu a partir de um acordo entre o governo Lula e a oposição. 
“Não cabe, em princípio, a lei impor um valor uniforme para todo o território nacional, muito menos por rito abreviado em conversão de uma medida provisória”, declarou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil/Amapá), em discurso no plenário, apelando para o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre pisos salariais. 
Outro revés aos caminhoneiros é a possível rejeição do presidente Lula sobre o trecho da proposta aprovada no Congresso Nacional que perdoa as multas de trânsito aplicadas contra caminhoneiros durante os bloqueios de rodovias em 2022, após a derrota do ex-presidente Jair Bolsonaro.