Caminhoneiros ameaçam parar o Brasil com nova greve; entenda o que está em jogo

O movimento busca pressionar o Senado a votar a MP do Piso do Frete antes que ela perca a validade no próximo dia 16.

Publicado em 13/07/2026 às 16:55h Publicado em 13/07/2026 às 16:55h por Matheus Silva
Membros do governo tem mantido conversas com representantes da categoria (Imagem: Shutterstock)
Membros do governo tem mantido conversas com representantes da categoria (Imagem: Shutterstock)
🚨 O presidente da Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores), Wallace Landim, conhecido como Chorão, convocou uma paralisação nacional de caminhoneiros a partir desta segunda-feira (13). 
O movimento tem como objetivo pressionar o Senado Federal a votar a MP nº 1.343/2026, conhecida como MP do Piso do Frete, antes que ela perca a validade no próximo dia 16 de julho.
O governo Lula monitora a situação de perto, tentando evitar uma paralisação de grande escala como a que paralisou o país em 2018. A Secretaria-Geral da Presidência tem mantido conversas com representantes da categoria e garante que a proposta será aprovada no Senado.

Por que os caminhoneiros querem a aprovação da MP do Frete?

A MP endurece as regras de fiscalização do piso mínimo do frete rodoviário e amplia os mecanismos para punir embarcadores e transportadoras que contratarem serviços abaixo dos valores definidos pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). 
Na avaliação dos caminhoneiros, a proposta é essencial para garantir a rentabilidade especialmente dos profissionais autônomos e dos veículos de menor porte.
A medida foi publicada pelo governo em março, junto com um pacote de subvenção ao diesel, para conter os efeitos do combustível diante da guerra no Oriente Médio.

Por que a votação virou impasse?

A MP já passou pela Câmara dos Deputados, mas ainda precisa ser votada pelo plenário do Senado até 16 de julho para não perder a validade. Até o momento, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não incluiu a proposta na pauta de votações.
Chorão atribuiu a demora a uma disputa política entre o presidente Lula e Alcolumbre. Segundo ele, após divergências em torno da indicação de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal), projetos do governo teriam deixado de avançar no Senado. A afirmação é do dirigente da Abrava.

Adesão à greve ainda é incerta; Chorão estima 60% de apoio

Embora a paralisação tenha sido convocada, ainda não há estimativas oficiais de adesão. Em entrevista à VEJA, Chorão afirmou acreditar que cerca de 60% da categoria apoiaria uma greve caso a MP não seja votada antes do vencimento. O dirigente disse ainda que os caminhoneiros estariam mais organizados do que na paralisação de 2018.
Segundo ele, a categoria aguarda uma sinalização do Senado até terça-feira (14). Caso a votação não avance, a tendência é de ampliação do movimento, que pode atingir portos e rodovias em todo o país.

O que acontece se a MP perder a validade?

Caso o Senado não vote a proposta até 16 de julho, ela perde automaticamente a eficácia. Na avaliação de Chorão, sem as mudanças previstas na MP, o transporte rodoviário se tornaria economicamente viável apenas para caminhões de maior porte, prejudicando os transportadores autônomos.
Do lado do governo, a aposta é na negociação política. A Secretaria-Geral da Presidência tem garantido à categoria que a proposta será aprovada. 
Nesta tarde, os senadores Randolfe Rodrigues (PT-AP), Teresa Leitão (PT-PE) e Tereza Cristina (PP-MS) se reúnem para tentar construir um esforço conjunto em torno da votação, de interesse tanto do governo quanto da oposição.
📊 Sem maioria folgada no Legislativo, o governo depende do apoio do centrão e do próprio Alcolumbre para avançar com sua agenda no Senado.