Mercado Livre, Nubank e XP podem entrar no Ibovespa; veja o motivo

Para o BofA, a mudança tornaria o índice mais representativo da economia local e atraente para alocadores internacionais.

Publicado em 02/07/2026 às 18:18h Publicado em 02/07/2026 às 18:18h por Matheus Silva
Atualmente, existem cerca de 818 BDRs listados na bolsa (Imagem: Shutterstock)
Atualmente, existem cerca de 818 BDRs listados na bolsa (Imagem: Shutterstock)
🚀 Uma possível reformulação na metodologia do Ibovespa (IBOV) pode abrir espaço para a inclusão de BDRs (Brazilian Depositary Receipts) no principal índice da bolsa brasileira.
Na avaliação do Bank of America (BofA), a mudança tornaria o índice mais representativo da economia do país e mais atrativo como um índice investível para alocadores internacionais.
Os BDRs são certificados negociados na B3 (B3SA3) que representam ações de empresas estrangeiras, permitindo que investidores brasileiros acessem companhias internacionais sem precisar investir diretamente no exterior. 
Atualmente, existem cerca de 818 BDRs listados na bolsa, dos quais aproximadamente 55% acompanham empresas americanas integrantes do S&P 500.
Segundo o BofA, no universo restante, apenas nove BDRs têm o Brasil como principal país de risco. "Em nossa avaliação, esses são os ativos mais relevantes para acompanhar caso os BDRs se tornem elegíveis para inclusão no Ibovespa", afirma o banco.
A possível mudança de metodologia foi antecipada pelo Brazil Journal como parte de uma ampla revisão dos critérios do índice.

BofA aponta cinco BDRs como principais candidatos

Ao filtrar os BDRs com base no país de risco e na exposição significativa ao Brasil, o BofA identificou cinco nomes como os maiores e mais líquidos candidatos à inclusão: Mercado Livre (MELI34), Nubank (ROXO34), XP (XPBR31), Stone (STOC34) e Inter (INBR32).
Além desses, o banco também avalia que JBS (JBSS32) e Aura Minerals (AURA33) poderiam ser considerados para o índice, mas faz ressalvas importantes sobre cada um deles. 
A JBS gera a maior parte de sua receita nos EUA e é classificada pela Bloomberg com os Países Baixos como principal país de risco. Já a Aura Minerals obtém parcela relevante de suas receitas no Canadá, enquanto os EUA são identificados como seu principal país de risco, o que pode comprometer a elegibilidade de ambas caso o critério de país de risco seja mantido como filtro principal.

Ibovespa e MSCI usam metodologias distintas

O Ibovespa, composto atualmente por 78 ações, utiliza a liquidez como principal critério de seleção. Para integrar o índice, as ações precisam representar ao menos 0,1% do volume financeiro negociado no mercado à vista durante os três períodos anteriores de revisão. 
As chamadas penny stocks, papéis negociados abaixo de R$ 1,00, são automaticamente excluídas.
Essa abordagem difere da adotada pelo MSCI, que atribui maior peso ao tamanho das empresas e ao free float, a parcela das ações efetivamente disponível para negociação no mercado. 
📊 Caso os BDRs sejam incorporados ao Ibovespa, o banco avalia que o índice brasileiro se aproximará da metodologia do MSCI Brazil, que desde 2024 já permite a inclusão de empresas listadas no exterior e atualmente contempla nomes como Aura Minerals, JBS, Nubank, Stone e XP em sua composição.