Master e Vorcaro são condenados por fraude em FII; veja como era o esquema

A CVM também condenou outros 14 integrantes do mercado, aplicando mais de R$ 200 milhões em multas.

Publicado em 09/09/2026 às 10:11h Publicado em 09/09/2026 às 10:11h por Marina Barbosa
De acordo com a CVM, esquema deixou prejuízo de R$ 5,8 milhões para investidores do BZLI11 (Imagem: Shutterstock)
De acordo com a CVM, esquema deixou prejuízo de R$ 5,8 milhões para investidores do BZLI11 (Imagem: Shutterstock)
O Banco Master e Daniel Vorcaro foram condenados por operação fraudulenta no mercado de capitais de forma unânime pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
⚖️ A decisão saiu nessa terça-feira (8) e diz respeito a um esquema envolvendo o Brazil Realty FII (BZLI11), fundo de investimento imobiliário que teve a sua listagem cancelada pela B3 em 2024.
De acordo com a CVM, um grupo de 16 empresas e pessoas físicas inflou o valor dos imóveis que integravam o portfólio do FII para vender as suas cotas a preços artificiais no mercado e embolsar os ganhos, causando um prejuízo de aproximadamente R$ 5,8 milhões para os investidores do BZLI11.
O grupo contava com a participação de Vorcaro e do Master, mas também do pai e do primo do ex-banqueiro, Henrique Vorcaro e Felipe Vorcaro, respectivamente; além de empresas como Viking Participações, que pertencia ao dono do Master, e Entre Investimentos, que foi liquidada em meio às investigações sobre o Master.
Os 16 condenados pelo esquema vão pagar pouco mais de R$ 200 milhões em multas. Só o Master foi condenado a pagar R$ 20 milhões. Já Daniel Vorcaro recebeu uma penalidade de R$ 12,5 milhões.

Como funcionava o esquema?

💲 A fraude ocorreu durante a terceira emissão de cotas do Brazil Realty FII, que movimentou cerca de R$ 139 milhões entre 2018 e 2020.
De acordo com a CVM, as cotas foram precificadas com base em laudos "falsos ou, no mínimo, questionáveis" e subscritas por parte dos acusados, incluindo o Banco Master.
Depois disso, empresas do grupo condenado, como Entre Investimentos e Sefer, atuaram comprando e vendendo essas cotas, para dar a aparência de que o ativo tinha liquidez e estava bem precificado.
Na sequência, essas cotas foram repassadas a outros investidores e fundos de investimento, permitindo que empresas como o Master a Viking tivessem lucro com a operação.
"Os apontados como arquitetos do esquema teriam obtido milhões de reais em detrimento daqueles que compraram e ficaram com as cotas, representativas de um patrimônio que valia muito menos do que os acusados os fizeram crer", diz o relatório do processo, assinado por João Accioly, diretor da CVM.
O relator classificou o esquema como uma "operação fraudulenta" e afirmou haver elementos suficientes para sustentar a acusação. Por isso, votou pela condenação de 16 acusados nessa terça-feira (8) e foi acompanhado pelos demais integrantes do colegiado da CVM.
"Os laudos, a entrada dos imóveis a preços inflados no fundo e as negociações no mercado secundário realizadas pelas empresas do grupo teriam servido ao propósito de ludibriar investidores de mercado a adquirir as cotas e ficar com o prejuízo da diferença entre o valor artificial e o valor real", diz o relatório de Accioly.

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