Lula critica Trump e diz que presidente dos EUA faz “jogo muito errado”

Em entrevista a jornal espanhol, petista fala de geopolítica e eleições de 2026.

Publicado em 18/04/2026 às 09:00h Publicado em 18/04/2026 às 09:00h por Wesley Santana
Lula termina seu terceiro mandato no próximo mês de dezembro (Imagem: Shutterstuck)
Lula termina seu terceiro mandato no próximo mês de dezembro (Imagem: Shutterstuck)

Ainda não confirmado para as eleições de 2026, o presidente Lula concedeu entrevista ao jornal espanhol El País, onde comentou sobre várias questões da nova ordem mundial. Uma das perguntas da reportagem foi a definição dada ao seu par norte-americano, Donald Trump, que, segundo ele, está fazendo “um jogo muito errado”.

A afirmação do líder petista se relaciona com esse segundo mandato de Trump e as regras que impôs à relação da maior economia do mundo com outros países. Além de tarifas comerciais, o período é marcado por acirramento de conflitos em vários lugares do mundo, como no Oriente Médio, com a guerra no Irã.

“Ele está jogando um jogo muito errado. Baseia-se na premissa de que a força econômica, militar e tecnológica americana determina as regras do jogo. Mas não pode ser, porque, no fundo, acaba criando problemas para os Estados Unidos. Quando ele decidiu atacar o Irã, não sei se percebeu que o preço do combustível iria aumentar e que o povo pagaria”, comentou Lula.

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Ele também comentou sobre o atual modelo de multilateralismo e o papel de instituições como a ONU (Organização das Nações Unidas). Dominadas pelo poder de veto de países como EUA e Rússia, as entidades são criticadas por não contornarem os conflitos que estão em execução.

“Nossa amada ONU não tem força para absolutamente nada. Pelo amor de Deus, uma terceira guerra mundial seria uma tragédia dez vezes mais potente que a segunda!”, disparou. “Fico muito desconfortável com o fato de que o Conselho de Segurança da ONU, criado para manter a paz, está travando uma guerra. É como se o mundo fosse um navio à deriva, sem nenhuma instituição para guiar o comportamento civilizador das nações”, complementou.

Na próxima semana, diversos presidentes de esquerda devem ir à Espanha para participar de uma cúpula que classificam como “defesa da democracia”. O mesmo expediente tem sido adotado por líderes de direita, que se reúnem com o objetivo de discutir um novo tipo de liderança no mundo.

Há pouco mais de dois meses, Trump convocou seus aliados da América Latina para a iniciativa “Escudo das Américas”. O grupo tinha como objetivo juntar 12 países da região para formar uma força política e militar.

“Não vai ser uma reunião anti-Trump. Vamos discutir a democracia: ver onde ela falhou e o que precisa ser feito para repará-la”, continuou. “A UE e o Mercosul deram uma lição ao mundo com o acordo que entrará em vigor em 1º de maio. Quase 750 milhões de pessoas, um PIB de 22 trilhões de dólares, é um começo muito bem-sucedido”.

O chefe do Planalto também foi questionado sobre seus planos eleitorais e se de fato deve se candidatar ao seu quarto mandato. Os jornalistas destacaram que as pesquisas indicam um cenário muito apertado entre ele e seu principal opositor, Flávio Bolsonaro (PL), com algumas mostrando até uma derrota no segundo turno.

“Olha, eu admiro o Messi, que ainda pode ser convocado pela Argentina... Estou com muito boa saúde. Tenho um acordo com Deus para viver 120 anos, porque gosto muito da vida. E estou me preparando para disputar as eleições, estou me preparando para o quarto mandato com a convicção de que isso é totalmente possível. Não podemos permitir que este país seja destruído novamente como foi por quatro anos. Sou muito, muito, muito comprometido”, continuou.