Líder do governo Lula é alvo de operação da PF sobre o Banco Master

A PF cumpre mandados de busca e apreensão contra o senador Jaques Wagner nesta 5ª (18).

Publicado em 18/06/2026 às 11:01h Publicado em 18/06/2026 às 11:01h por Marina Barbosa
Jaques Wagner é líder do governo Lula no Senado (Imagem: Saulo Cruz/Agência Senado)
Jaques Wagner é líder do governo Lula no Senado (Imagem: Saulo Cruz/Agência Senado)
A PF (Polícia Federal) deflagrou nesta quinta-feira (18) mais uma fase da operação que investiga as fraudes ligadas ao Banco Master, a Compliance Zero.
🚨 Desta vez, a investigação mira um aliado do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT): o senador Jaques Wagner (PT), que atua como líder do governo no Senado Federal.
A suspeita é de que o senador atuou em favor de projetos de interesse do Banco Master, como a emenda que ampliava o limite de cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) e um projeto que elevava o limite do crédito consignado. 
A PF ainda cita o suposto envolvimento do líder do governo em iniciativas parlamentares voltadas à fiscalização e ao controle da compra do BRB (BSLI4) pelo Master -operação que foi barrada pelo BC (Banco Central).
A investigação também apura se Jaques Wagner teria recebido vantagens indevidas por essa atuação, como repasses financeiros e um apartamento em Salvador. O pagamento teria sido viabilizado pelo banqueiro Augusto Lima, sócio de Daniel Vorcaro no Master.
De acordo com a PF, Jaques Wagner e Augusto Lima mantêm uma relação "antiga, próxima e marcada por elevado grau de confiança pessoal", que envolvia mensagens, chamadas de voz, encontros presenciais, deslocamentos em aeronaves e interações familiares.
A PF diz que essa relação teria, em tese, criado um "ambiente propício à realização de tratativas reservadas em prol da defesa de interesses privados do Banco Master".

Augusto Lima também é alvo

O banqueiro Augusto Lima chegou a ser preso preventivamente em novembro do ano passado na primeira fase da Operação Compliance Zero e voltou à mira da PF nesta quinta-feira (18).
🏦 Augusto Lima era sócio de Daniel Vorcaro no Master e dono do Banco Pleno, que também foi liquidado pelo BC em meio ao caso Master devido ao comprometimento da situação econômico-financeira. 
O banqueiro é próximo de políticos ligados ao PT (Partido dos Trabalhadores) na Bahia, como Jaques Wagner, e entrou como investidor na privatização da Ebal (Empresa Baiana de Alimentos), em um governo do PT em 2018.
A operação envolveu a rede de supermercados Cesta do Povo e o cartão de crédito consignado Credcesta, que se tornou um dos principais ativos do Master.

Os objetivos da PF

🚔 O objetivo desta nova fase da Operação Compliance Zero é apurar a eventual participação de agente público em esquema de irregularidades envolvendo instituições do sistema financeiro nacional.
Para isso, os policiais federais cumprem 18 mandados de busca e apreensão nos estados da Bahia, de São Paulo e no Distrito Federal. 
Também estão sendo cumpridas medidas cautelares diversas da prisão, como proibição de contato entre os investigados e suspensão de passaporte.
De acordo com a PF, os fatos investigados podem caracterizar os crimes de corrupção passiva, de corrupção ativa e de lavagem de dinheiro.

Caso Master se alastra no mundo político

Jaques Wagner é o primeiro político ligado diretamente ao governo Lula a se ver envolvido nas investigações sobre o Banco Master.
Porém, as investigações da PF já mostraram que Daniel Vorcaro mantinha contato com diversas autoridades brasileiras, além de nomes de oposição ao governo Lula. 
O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), por exemplo, também já foram alvos da Operação Compliance Zero.
A PF também revelou que Vorcaro pagou diárias de um hotel de luxo em Lisboa para o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).
O dono do Master também mantinha conversas com o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), além de um contrato milionário com o escritório de advocacia da esposa de Moraes.
Além disso, manteve contato com o senador Flávio Bolsonaro (PL) e participou do financiamento do filme Dark Horse, que promete contar a história de Jair Bolsonaro (PL).
Ainda há denúncias de repasses financeiros milionários para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que nega a alegação.