Gringos podem colocar até R$ 500 bilhões na bolsa, aponta BTG Pactual

O banco calculou que a bolsa brasileira pode receber até R$ 500 bilhões de estrangeiros se a alocação ao país chegar a 10%.

Publicado em 21/10/2026 às 17:09h Publicado em 21/10/2026 às 17:09h por Matheus Silva
A Petrobras sozinha captou 32% do fluxo estrangeiro (Imagem: Shutterstock)
A Petrobras sozinha captou 32% do fluxo estrangeiro (Imagem: Shutterstock)
📈 O Ibovespa (IBOV) acumula alta de 11% em outubro, o segundo melhor desempenho mensal do ano, impulsionado pelo chamado trade eleitoral e pela expectativa de mudança de governo. 
Boa parte desse movimento tem origem no dinheiro estrangeiro, e um estudo do BTG Pactual divulgado nesta quarta-feira (21) sugere que o fluxo pode estar apenas começando.
Só neste mês, até o dia 19, os investidores estrangeiros injetaram R$ 19,9 bilhões na bolsa brasileira, segundo dados da B3 (B3SA3). No acumulado do ano, o saldo chega a R$ 47,3 bilhões, quase o dobro dos R$ 25,5 bilhões aportados em 2025.

Alocação ao Brasil caiu de 7,6% para 5,8%

Apesar do volume expressivo, o BTG avalia que a exposição dos estrangeiros ao Brasil continua baixa.
Entre os fundos de mercados emergentes globais, a alocação média ao país caiu de 7,6% em abril para 5,8% no último mês. Considerando apenas a parcela brasileira nesses fundos, a queda foi de 6% para 4,7%.
É justamente nessa diferença que mora o potencial apontado pelo banco. Segundo os cálculos da instituição, o simples retorno das alocações aos níveis anteriores representaria um ingresso de R$ 125 bilhões, equivalentes a US$ 25 bilhões.
Em cenários mais otimistas, os números crescem bastante. Com uma participação de 8%, os aportes poderiam alcançar R$ 315 bilhões, ou US$ 63 bilhões. Já em um cenário de 10%, o fluxo chegaria a R$ 500 bilhões, o equivalente a US$ 100 bilhões.

Brasil representa apenas 0,37% dos ativos globais

A comparação com o mercado global reforça o argumento. Os fundos internacionais administram cerca de R$ 28 trilhões, ou US$ 7 trilhões, mas o Brasil responde por apenas 0,37% desses ativos totais. O gestor global médio mantém aproximadamente 0,67% da carteira no país.
Se a participação brasileira nos ativos globais subisse para 1%, o país poderia receber um fluxo adicional de R$ 220 bilhões, equivalentes a US$ 44 bilhões.

Petrobras, Vale e PRIO concentram dois terços do dinheiro

O estudo também mapeou onde esse capital costuma ser aplicado. Considerando os últimos seis anos e um recorte de entradas mensais de R$ 5 bilhões ou mais, os aportes estrangeiros na bolsa somam R$ 56 bilhões, com forte preferência por ações listadas no Ibovespa.
A concentração é notável. A Petrobras (PETR4) sozinha recebeu R$ 18 bilhões, o equivalente a 32% do total. A Vale (VALE3) captou R$ 11 bilhões, ou 19%, e a PRIO (PRIO3) ficou com cerca de R$ 7 bilhões, aproximadamente 13%. Juntas, as três companhias concentraram cerca de dois terços de todo o fluxo.
Os bancos também aparecem com destaque. O Banco do Brasil (BBAS3) recebeu cerca de R$ 5 bilhões, o equivalente a 9%, enquanto Itaúsa (ITSA4) e BTG Pactual (BPAC11) captaram R$ 4 bilhões cada, cerca de 7% para cada uma.

Small caps ficam com menos de 1% do fluxo cada

Entre as empresas menores, os valores são bem mais modestos. A GPS (GGPS3) e a Bradsaúde (SAUD3) receberam aproximadamente R$ 400 milhões cada. Orizon (ORVR3), Sanepar (SAPR11) e Petz Cobasi (AUAU3) ficaram com cerca de R$ 300 milhões cada.
📊 Individualmente, cada uma dessas companhias representou menos de 1% do total apurado, e o grupo todo somou aproximadamente 3% do fluxo estrangeiro no período.