Fed admite subir juros caso inflação continue pressionada

Ata da última reunião mostra divergências entre dirigentes sobre os próximos passos da política monetária.

Publicado em 20/08/2026 às 12:04h Publicado em 20/08/2026 às 12:04h por Wesley Santana

Nesta quarta-feira (20), o Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) publicou a ata que traz detalhes da última reunião dos diretores da entidade. Foi nela que se decidiu pela manutenção da taxa de juros do país no intervalo entre 3,5% e 3,75% ao ano.

De acordo com o comunicado, o Fed admite que pode haver uma elevação dos juros caso a inflação não dê sinais de queda. A decisão de manter os juros no patamar atual, inclusive, não foi unânime, contando com votos contrários, na linha de incrementar o indicador.

“Os dirigentes do Fed têm visões realmente diferentes”, opina Will Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, em entrevista à CNN Brasil. “A ata reforça a ideia de uma postura mais hawkish do Banco Central americano, mas a gente ainda não viu o aumento de juros”, comenta.

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A ata nem sequer trouxe relatos de algum diretor que tenha defendido um corte nos juros. A pressão sobre os preços dentro dos EUA mostra que todos os membros estão menos otimistas com eventuais cortes no curto prazo.

A próxima reunião do Fed acontece nos dias 15 e 16 de setembro, quando o órgão deve decidir o novo patamar dos juros. Novos dados de inflação e emprego devem dar uma ideia de qual caminho o índice vai ser levado.

Mudança no calendário

Durante a reunião do Fed, os diretores também haviam discutido uma mudança no calendário do órgão. O novo presidente Kevin Warsh teria proposto reduzir o número de encontros de oito para até seis por ano, em um intervalo de 45 dias entre elas.

"O presidente observou que seis reuniões programadas por ano, realizadas aproximadamente a cada dois meses, permitiriam que mais informações se acumulassem entre as reuniões do que atualmente e dariam aos formuladores de política e à equipe mais tempo para considerar questões estratégicas de política monetária", diz o documento.