Dívida dos EUA supera US$ 40 trilhões pela primeira vez na história

Contas públicas americanas aceleram e acendem alerta para uma possível crise fiscal.

Publicado em 20/08/2026 às 09:04h Publicado em 20/08/2026 às 09:04h por Wesley Santana

As contas públicas dos Estados Unidos continuam avançando a pleno vapor. Na última terça-feira, a dívida do governo superou a marca de US$ 40 trilhões pela primeira vez na história.

Os EUA são um dos países mais conhecidos por financiar seu crescimento por meio da emissão de dívidas. No entanto, a situação tem ficado cada vez mais grave, abrindo alerta para uma crise fiscal.

Parte desta dívida está relacionada ao pagamento de juros, que tem superado as receitas do governo. Além disso, o orçamento também é consumido por programas sociais e outros gastos que custam fortunas aos cofres públicos.

E esses gastos aceleraram ainda mais nas últimas décadas, sobretudo depois da pandemia. Estima-se que a dívida pública tenha dobrado de tamanho em apenas uma década.

Há quem pense que esse é um problema apenas do governo, mas a situação recai também sobre a população. A crise afeta os preços internos, elevando a inflação e fazendo com que os norte-americanos sintam o peso disso diretamente no bolso.

“A dívida de US$ 40 trilhões não existe apenas nos livros contábeis do governo; ela se faz sentir em toda a economia e, de uma forma ou de outra, chega ao bolso das pessoas”, disse Maya MacGuineas, presidente do Comitê para um Orçamento Federal Responsável, uma organização apartidária. “Quanto mais contraímos dívidas, mais agravamos a inflação, prejudicamos outras prioridades no orçamento e nos tornamos vulneráveis a emergências internas e turbulências no exterior”, continua.

Em entrevista à Reuters, o especialista fez uma observação importante que foi o fato de que a marca de US$ 40 tri foi atingida apenas cinco meses depois que as contas bateram US$ 39 tri. Isto é, só em 2026, a dívida estadunidense cresceu mais de US$ 1 tri.

Tanto o governo de Donald Trump quanto o de seu sucessor Joe Biden foram alertados sobre a aceleração nestes números. Mesmo assim, preferiram manter uma trajetória de gastos, justificada pela proteção social em um ambiente de pandemia e de suas consequências para a economia global.

"Nossos programas federais gastam muito mais do que o governo arrecada, e os itens mais caros do orçamento federal estão todos funcionando no piloto automático", disse Margaret Spellings, CEO do Bipartisan Policy Center, em comunicado recente. "A dívida federal já está aumentando o custo de vida e sufocando outros gastos e investimentos, ameaçando nossa economia e a prosperidade de longo prazo dos americanos”, completa.