EUA dão pistas de que juros subirão em 2026 e nosso Tesouro Direto pega a visão

Taxas oferecidas pelo governo brasileiro voltam a subir com apostas de que Federal Reserve será hawkish.

Publicado em 28/08/2026 às 16:21h Publicado em 28/08/2026 às 16:21h por Lucas Simões
Kevin Warsh, novo presidente do Federal Reserve, discursou no simpósio de Jackson Hole (Imagem: The White House)
Kevin Warsh, novo presidente do Federal Reserve, discursou no simpósio de Jackson Hole (Imagem: The White House)
Os investidores globais mudaram sua visão sobre a decisão de juros do Federal Reserve em setembro de 2026, após o banqueiro central Kevin Warsh dar sinais durante o simpósio de Jackson Hole nesta sexta-feira (28) de que o seu trabalho ainda não acabou até que a meta de inflação americana alcance os 2% ao ano.
Nas entrelinhas, o mercado precificou que as chances da taxa básica de juros americana subir em 25 pontos-base (com juros oscilando entre 3,75% e 4,00% ao ano) são maiores, o que não limitou os impactos apenas nos títulos do governo dos Estados Unidos, como também os juros compostos pagos pelo nosso Tesouro Direto.
Para se ter ideia, ontem as apostas do mercado sobre a próxima decisão do Federal Reserve eram de apenas 35% de chances de os juros subirem; porém, com as novas falas de Kevin Warsh, os contratos de opções que colocam dinheiro na probabilidade de aumento dos juros subiram para 57%, ou seja, a maioria dos investidores em Wall Street já espera um tom mais hawkish (agressivo ao combate da inflação).
Como consequência à renda fixa brasileira, as taxas oferecidas pelo Tesouro Direto voltaram a saltar hoje, interrompendo sequência de quedas desde o dia 14 de agosto de 2026, que vinha abrindo espaço para janela de lucros com marcação a mercado. Agora vemos o inverso.
Só os rendimentos do Tesouro Prefixado 2032 avançaram de 14,47% ao ano, no último dia 26 de agosto, para encostarem nos atuais 14,55% ao ano. Em compensação, o seu preço unitário cedeu de R$ 487,94 para R$ 486,66, respectivamente. 
Embora o espaço para o nosso Banco Central reduzir a taxa Selic pareça ter encolhido diante das mensagens subliminares implantadas em Jackson Hole, as grandes corretoras de valores aqui no Brasil ainda estão mais confiantes de que as taxas no Tesouro Direto podem recuar mais do que a maioria imagina. 
O próprio time de research da XP agora prevê a taxa Selic em 13,25% ao ano no final de 2026, e não mais em 14% ao ano, como acontecia antes, já que especialistas enxergam sinais claros da desaceleração da atividade e que a desinflação chegou antes do previsto.

Veja o retorno dos títulos do Tesouro Direto em 28 de agosto de 2026:

Títulos com liquidez diária

  • Tesouro Selic 2031 = Aporte mínimo de R$ 197,08 (Rentabilidade: Selic + 0,0730% ao ano)

Títulos pré-fixados

Títulos indexados à inflação

Títulos para aposentadoria extra

Títulos para custear estudos