Deflação do IPCA-15 faz XP rever aposta para a Selic em 2026

Analistas veem desaceleração da atividade e da inflação antes do esperado.

Publicado em 27/08/2026 às 09:20h Publicado em 27/08/2026 às 09:20h por Wesley Santana
Selic é o indicador da taxa básica de juros no Brasil, atualmente em 14% ao ano (Imagem: Shutterstock)
Selic é o indicador da taxa básica de juros no Brasil, atualmente em 14% ao ano (Imagem: Shutterstock)

Depois que a prévia da inflação apontou deflação em agosto, a XP Investimentos decidiu rever sua aposta para a taxa básica de juros. O time de research da corretora agora prevê a Selic em 13,25% no final deste ano, e não mais em 14%, como acontecia antes.

De acordo com os analistas, o Banco Central tem espaço para cortar até 0,75% do indicador nas próximas reuniões. Eles entendem que há sinais claros da desaceleração da atividade e que a desinflação chegou antes do previsto.

“As leituras recentes de atividades e inflação vieram abaixo das nossas expectativas, sugerindo que a desaceleração e a desinflação estão se materializando antes do previsto. O estímulo fiscal não tem sido tão efetivo em impulsionar a demanda, uma vez que o endividamento de consumidores e empresas permanece elevado, os custos de produção estãomais pressionados e os indicadores de confiança vêm recuando”, escrevem Caio Megale e Rodolfo Margato.

O IPCA-15 divulgado na véspera mostrou um recuo de 0,4% no indicador de agosto. O resultado veio sobretudo do setor de Habitação, que ganhou fôlego com um bônus da Itaipu que recaiu sobre as contas de energia elétrica.

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No entanto, houve queda também no setor de Alimentação e bebidas, com ênfase na alimentação fora do lar. Já os produtos de supermercado que mais se destacaram foram: tomate (-27%), batata-inglesa (-25%), cenoura (-17%) e café moído (-2,3%).

"Diante das evidências de desaceleração e desinflação mais cedo do que antecipávamos, agora entendemos que o Copom não realizará uma pausa no ciclo de calibração da taxa Selic este ano", afirmou a XP.

A corretora também faz uma avaliação para o próximo ano, mantendo a perspectiva de 11,5% para dezembro de 2027. “Nosso cenário atualizado apenas prevê uma convergência mais célere ao patamar de 11,50%, e não uma avaliação diferente para a taxa básica de juros no médio prazo", diz a entidade.