El Niño se aproxima e pode derreter ações da B3; veja quais estão no olho do furacão

A NOAA projeta um "super" El Niño no 2º semestre de 2026, o que deve intensificar a ocorrência de eventos climáticos extremos.

Publicado em 22/05/2026 às 16:45h Publicado em 22/05/2026 às 16:45h por Matheus Silva
A geração de energia elétrica é o setor mais afetado por esse cenário (Imagem: Shutterstock)
A geração de energia elétrica é o setor mais afetado por esse cenário (Imagem: Shutterstock)
🌪️ A Genial Investimentos mapeou os setores e ações da bolsa brasileira com maior exposição ao risco climático caso se confirme o "Super El Niño" previsto pela NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) dos EUA para o segundo semestre de 2026, com amplificação dos eventos extremos. 
O setor de geração de energia elétrica é apontado como o mais afetado pelo cenário, seguido por bancos com carteiras de crédito rural, agronegócio e mineração e siderurgia.
O El Niño é um fenômeno climático natural que ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico ficam mais quentes do que o normal por vários meses, alterando o comportamento climático ao redor do mundo. No Brasil, o fenômeno tende a causar mais chuvas no Sul e secas no Norte e Nordeste.

Axia Energia é a mais exposta; Copel pode se beneficiar

Na geração de energia elétrica, a Genial aponta a Axia Energia (AXIA3) como a ação em maior nível de alerta. 
A companhia possui 64% da sua operação instalada nas regiões Norte e Nordeste, justamente as mais suscetíveis à seca. Do lado oposto, a Copel (CPLE3) pode se beneficiar por ter maior participação na região Sul, onde a tendência é de aumento das chuvas. 
Além disso, a redução dos reservatórios hidrelétricos pressiona o custo da energia, o que afeta as margens das siderúrgicas.

BB, ABC e Banrisul mais expostos via crédito rural

No setor bancário, a relação com o El Niño passa pelas carteiras de crédito rural. Com as mudanças climáticas extremas, a produção agrícola pode ser comprometida, "afetando diretamente a capacidade de pagamento dos produtores rurais", segundo o relatório da Genial. 
As instituições com maior exposição ao agronegócio são as mais vulneráveis: Banco do Brasil (BBAS3), Banco ABC (ABCB4) e Banrisul (BRSR6) são apontados como os mais suscetíveis ao impacto.

SLC Agrícola e BrasilAgro com margens já pressionadas

No agro, os riscos climáticos afetam diretamente a produtividade por hectare, a qualidade das culturas e o volume colhido. 
As ações mais afetadas, segundo a Genial, devem ser a SLC Agrícola (SLCE3) e a BrasilAgro (AGRO3), especialmente em culturas como milho safrinha, soja, cana e algodão. 
O impacto ocorre em um momento em que as margens e o Ebitda do setor já estão pressionados. A Genial reconhece que a diversificação geográfica e os hedges ajudam parcialmente, mas não eliminam o risco operacional e financeiro.

Vale, CSN Mineração, Gerdau e Usiminas no radar

Para o setor de mineração e siderurgia, o relatório aponta risco para Vale (VALE3), CSN Mineração (CMIN3), CSN (CSNA3), Gerdau (GGBR4) e Usiminas (USIM5)
📊 As chuvas extremas podem afetar a produção mineral e causar distúrbios logísticos e ferroviários, com interrupções operacionais e redução da capacidade de transporte.