Crise financeira de 2008? Taxas do Tesouro Direto disparam em maio de 2026

Os títulos do governo americano, com vencimento em 30 anos, batem maior taxa desde a crise do subprime.

Publicado em 19/05/2026 às 16:13h Publicado em 19/05/2026 às 16:13h por Lucas Simões
Aqui no Brasil, taxas longas voltam a ficar acima de IPCA+ 7% ao ano (Imagem: Shutterstock)
Aqui no Brasil, taxas longas voltam a ficar acima de IPCA+ 7% ao ano (Imagem: Shutterstock)
Mesmo em meio a um ciclo de cortes da taxa Selic em 2026, a estratégia de lucrar pesado com marcação a mercado no Tesouro Direto não é linear e exige estômago do investidor de renda fixa arrojado. Afinal de contas, as taxas voltaram a subir com força em maio de 2026.
Seja pela deterioração das contas públicas brasileiras por medidas eleitoreiras do governo Lula ou ainda pelos áudios vazados do pré-candidato Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro, fato é que os juros compostos exigidos pelos investidores de renda fixa para emprestar dinheiro ao governo brasileiro romperam uma importante barreira psicológica.
Nesta terça-feira (19), o Tesouro Renda+ 2065 oferecia taxa de IPCA+ 7,03% ao ano, o maior patamar desde o final de março de 2026, sendo que no último dia 8 de maio, a taxa fez mínima em IPCA+ 6,88% ao ano.
Em compensação, o preço unitário do Tesouro Renda+ 2065 se desvalorizou de R$ 202,41 para os atuais R$ 190,39, dentro do período citado, culminando no prejuízo de -6% na marcação a mercado em menos de 30 dias corridos.
Para o analista Pedro Serra, da corretora Ativa Investimentos, a curva de juros futuros brasileira tem acompanhado a alta das taxas registradas pelos títulos do governo americano, os quais refletem a cautela dos investidores globais em tempos de incertezas geopolíticas.
Vale destacar que os títulos do governo americano, com vencimento em 30 anos, alcançaram nesta terça-feira (19) o patamar recorde de 5,19% ao ano, os maiores juros compostos já registrados desde a crise financeira global de 2008, que ficou conhecida como a crise do subprime justamente por sua origem nas hipotecas americanas, cujos contratos se baseavam nos títulos de renda fixa de longuíssimo prazo.

Acompanhe a seguir os preços e as rentabilidades dos títulos públicos no Tesouro Direto na tarde do dia 19 de maio de 2026:

Títulos com liquidez diária

  • Tesouro Reserva 2036 = Aporte mínimo de R$ 1,00 (Rentabilidade: Selic Over)
  • Tesouro Selic 2031 = Aporte mínimo de R$ 189,65 (Rentabilidade: Selic Over+ 0,0813% ao ano)

Títulos pré-fixados

  • Tesouro Prefixado 2029 = Aporte mínimo de R$ 7,09 (Rentabilidade: 14,14% ao ano)
  • Tesouro Prefixado 2032 = Aporte mínimo de R$ 4,71 (Rentabilidade: 14,41% ao ano)
  • Tesouro Prefixado com juros semestrais 2037 = Aporte mínimo de R$ 8,10 (Rentabilidade: 14,47% ao ano)

Títulos indexados à Inflação

  • Tesouro IPCA+ 2032 = Aporte mínimo de R$ 29,40 (Rentabilidade: IPCA+ 7,88% ao ano)
  • Tesouro IPCA+ 2040 = Aporte mínimo de R$ 17,24 (Rentabilidade: IPCA+ 7,35% ao ano)
  • Tesouro IPCA+ 2050 = Aporte mínimo de R$ 9,12 (Rentabilidade: IPCA+ 7,05% ao ano)
  • Tesouro IPCA+ 2037 (com juros semestrais) = Aporte mínimo de R$ 41,80 (Rentabilidade: IPCA+ 7,62% ao ano)
  • Tesouro IPCA+ 2045 (com juros semestrais) = Aporte mínimo de R$ 40,91 (Rentabilidade: IPCA+ 7,37% ao ano)
  • Tesouro IPCA+ 2060 (com juros semestrais) = Aporte mínimo de R$ 40,75 (Rentabilidade: IPCA+ 7,25% ao ano)

Títulos para aposentadoria extra

  • Tesouro Renda+ 2030 = Aporte mínimo de R$ 19,39 (Rentabilidade: IPCA+ 7,43% ao ano)
  • Tesouro Renda+ 2035 = Aporte mínimo de R$ 13,96 (Rentabilidade: IPCA+ 7,25% ao ano)
  • Tesouro Renda+ 2040 = Aporte mínimo de R$ 10,09 (Rentabilidade: IPCA+ 7,13% ao ano)
  • Tesouro Renda+ 2045 = Aporte mínimo de R$ 7,29 (Rentabilidade: IPCA+ 7,06% ao ano)
  • Tesouro Renda+ 2050 = Aporte mínimo de R$ 5,24 (Rentabilidade: IPCA+ 7,03% ao ano)
  • Tesouro Renda+ 2055 = Aporte mínimo de R$ 3,74 (Rentabilidade: IPCA+ 7,03% ao ano)
  • Tesouro Renda+ 2060 = Aporte mínimo de R$ 2,66 (Rentabilidade: IPCA+ 7,03% ao ano)
  • Tesouro Renda+ 2065 = Aporte mínimo de R$ 1,90 (Rentabilidade: IPCA+ 7,03% ao ano)

Títulos para custear estudos

  • Tesouro Educa+ 2027 = Aporte mínimo de R$ 37,47 (Rentabilidade: IPCA+ 7,99% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2028 = Aporte mínimo de R$ 34,87 (Rentabilidade: IPCA+ 7,96% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2029 = Aporte mínimo de R$ 32,46 (Rentabilidade: IPCA+ 7,92% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2030 = Aporte mínimo de R$ 30,23 (Rentabilidade: IPCA+ 7,88% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2031 = Aporte mínimo de R$ 28,22 (Rentabilidade: IPCA+ 7,81% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2032 = Aporte mínimo de R$ 26,35 (Rentabilidade: IPCA+ 7,74% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2033 = Aporte mínimo de R$ 24,67 (Rentabilidade: IPCA+ 7,67% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2034 = Aporte mínimo de R$ 24,11 (Rentabilidade: IPCA+ 7,60% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2035 = Aporte mínimo de R$ 21,67 (Rentabilidade: IPCA+ 7,53% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2036 = Aporte mínimo de R$ 20,34 (Rentabilidade: IPCA+ 7,47% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2037 = Aporte mínimo de R$ 19,11 (Rentabilidade: IPCA+ 7,41% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2038 = Aporte mínimo de R$ 17,93 (Rentabilidade: IPCA+ 7,36% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2039 = Aporte mínimo de R$ 16,84 (Rentabilidade: IPCA+ 7,32% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2040 = Aporte mínimo de R$ 15,80 (Rentabilidade: IPCA+ 7,28% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2041 = Aporte mínimo de R$ 14,81 (Rentabilidade: IPCA+ 7,25% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2042 = Aporte mínimo de R$ 13,89 (Rentabilidade: IPCA+ 7,22% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2043 = Aporte mínimo de R$ 13,03 (Rentabilidade: IPCA+ 7,19% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2044 = Aporte mínimo de R$ 12,23 (Rentabilidade: IPCA+ 7,16% ao ano)