Diante da perspectiva de mais uma piora dos resultados, a
CSN (CSNA3) está tentando alongar o prazo de pagamento de dívidas internacionais.
🔁 A siderúrgica lançou nessa quinta-feira (30) uma oferta de troca de títulos de
renda fixa emitidos no exterior, que pode ampliar o prazo de pagamento de até US$ 1,3 bilhão em dívidas, mas sob o custo de juros maiores.
A ideia da CSN é trocar bonds com vencimento em 2028 e juros de 6,750% ao ano por novos títulos de dívida com vencimento em 2030, juros de até 11,00% ao ano e antecipação de parte do pagamento em dinheiro.
De acordo com a empresa, as novas notas podem chegar a US$ 970 milhões. Já os outros US$ 330 milhões serão pagos em dinheiro para os investidores que aceitarem a oferta.
Dessa forma, para cada US$ 1 mil investido nos atuais bonds, os investidores que aceitarem a oferta devem receber US$ 746,15 em novos títulos e US$ 253,85 em dinheiro, além dos juros acumulados até a data de liquidação.
As condições da oferta
De acordo com a CSN, a taxa de juros da nova emissão pode cair para 10,50% ao ano, caso o valor do principal tenha uma redução de ao menos US$ 200 milhões e caso tal baixa ocorra antes de 12 de fevereiro de 2028.
A companhia ainda se reserva o direito de resgatar, total ou parcialmente, as novas notas, mediante o pagamento de um preço de resgate equivalente a 100% do valor do principal, acrescido da remuneração acumulada e não paga até a data de resgate.
Os titulares dos atuais bonds da CSN têm até o dia 10 de agosto para indicar se aceitam a oferta de troca dos títulos, pois os novos bonds devem ser liquidados em 12 de agosto.
Porém, a consumação da oferta depende do cumprimento de determinadas condições. Uma delas é a adesão dos titulares de ao menos 70% dos bons atuais. Isto é, a rolagem de ao menos UUS$ 910 milhões da atual dívida de US$ 1,3 bilhão.
Prejuízo maior
Para embasar a decisão dos investidores, a CSN divulgou junto com a oferta resultados preliminares do segundo trimestre de 2026. Afinal, o balanço será divulgado só no dia 12 de agosto, após o prazo de adesão à oferta. Os dados, no entanto, podem não empolgar muitos investidores.
⚠️ A CSN prevê um aumento do prejuízo, da dívida e da alavancagem no acumulado do primeiro semestre de 2026, mesmo projetando estabilidade das receitas e um leve aumento do Ebitda.
A expectativa é de um prejuízo líquido de R$ 1,3 bilhão a R$ 1,4 bilhão no semestre, superior ao rombo de R$ 861,9 milhões do mesmo período de 2025.
Dessa forma, a projeção aponta para um prejuízo de ao menos US$ 745 milhões no segundo trimestre de 2026, já que o resultado do primeiro trimestre foi negativo em US$ 555 milhões.
Veja os resultados preliminares da CSN no 1S26:
- Receita Líquida: em linha com o mesmo período de 2025;
- Ebitda Ajustado: entre R$ 5,3 bilhões e R$ 5,4 bilhões, leve alta em relação aos R$ 5,2 bilhões do 1º semestre de 2025
- Prejuízo Líquido: entre R$ 1,3 bilhão e R$ 1,4 bilhão, uma piora frente ao prejuízo de R$ 861,9 milhões do 1º semestre de 2025;
- Dívida bruta e dívida líquida ajustada: aumento em relação às dívidas de R$ 50,4 bilhões e R$ 40,5 bilhões do primeiro trimestre de 2026, mas sem ultrapassar R$ 54,0 bilhões e R$ 44,0 bilhões, respectivamente;
- Caixa e equivalentes de caixa: leve aumento em comparação à posição de R$ 12,8 bilhões do primeiro trimestre de 2026;
- Índice de alavancagem: aumento moderado em relação aos 3,36x do primeiro trimestre de 2026, mas sem superar 3,5x.
Ao divulgar esses números, a CSN ressaltou que estas são as informações disponíveis no momento e que os dados estão sujeitos à conclusão dos procedimentos de fechamento contábil e ajustes finais. Por isso, são preliminares e não devem ser considerados substitutos do balanço do segundo trimestre de 2026.
"Os resultados efetivos da Companhia para o semestre encerrado em 30 de junho de 2026 poderão diferir das informações preliminares ora divulgadas, e tais diferenças poderão ser relevantes, em decorrência da conclusão dos procedimentos de fechamento contábil, de ajustes finais e de outros desenvolvimentos que venham a ocorrer até a conclusão das demonstrações financeiras da Companhia", afirmou.