Compass lança IPO e pode pôr fim a jejum de ofertas na B3; veja preço esperado por ação

A empresa de gás e energia da Cosan pretende movimentar ao menos R$ 2,5 bi com o IPO.

Publicado em 28/04/2026 às 07:48h Publicado em 28/04/2026 às 07:48h por Marina Barbosa
Compass é dona da Comgás e da Edge (Imagem: Shutterstock)
Compass é dona da Comgás e da Edge (Imagem: Shutterstock)
A Compass Gás e Energia confirmou o plano de estrear na Bolsa e, de quebra, quebrar o jejum de IPOs (ofertas públicas iniciais de ações) da B3.
💲 A empresa de gás e energia do grupo Cosan (CSAN3) apresentou o seu pedido de IPO nesta terça-feira (28), com a intenção de movimentar ao menos R$ 2,5 bilhões.
A ideia é vender pelo menos 89,3 milhões de ações que já estão nas mãos dos seus acionistas, a um preço por ação entre R$ 28 e R$ 35. A oferta pode crescer, caso haja demanda para isso.
A Compass vai sentir o apetite do mercado nas próximas semanas, por meio de roadshows com investidores nacionais e estrangeiros.
O objetivo é precificar a oferta já no próximo dia 7 de maio, para que as ações da companhia comecem a ser negociadas na B3 no dia 11 de maio.
A empresa mira o Novo Mercado, o segmento de mais alto padrão de governança da Bolsa brasileira. Por isso, também aprovou na segunda-feira (27) a conversão de todas as suas ações preferenciais em ações ordinárias.

Fim do jejum de IPOs e alívio para a Cosan

Se o plano der certo, a Compass será a primeira empresa a fazer um IPO na B3 em mais de cinco anos, o que pode abrir o caminho para novas ofertas. A BRK Ambiental e a Aegea, por exemplo, já demonstraram a intenção de estrear na Bolsa.
Além disso, o IPO promete reforçar o caixa da Cosan, que segue em busca de uma forma de reduzir o seu endividamento e reestruturar as contas de uma dos seus principais negócios, a Raízen (RAIZ4).
Afinal, esta é uma oferta secundária de ações, em que os atuais acionistas vendem participações e ficam com o dinheiro arrecadado, e a Cosan é dona de boa parte das ações que serão colocadas à venda.
A Cosan detém uma fatia de 20% da Compass atualmente, mas pretende vender uma participação de até 15% na empresa por meio dessa oferta, já considerando o possível lote suplementar de ações.
O recurso obtido com a venda deve ser usado para reduzir a dívida da Cosan. A holding, no entanto, também poderia se ver pressionada a fazer novos aportes na Raízen, que busca uma forma de levantar capital para sair da recuperação extrajudicial.

Vale a pena investir na Compass?

Ao lançar a oferta, a Compass confirmou que não vai emitir novas ações e, por isso, não receberá quaisquer recursos provenientes do IPO. Ainda assim, apresentou os trunfos do seu negócio para o mercado.
A Compass é dona da maior distribuidora de gás natural encanado do Brasil e da marca responsável pelas atividades do Terminal de Regaseificação de São Paulo -Comgás (CGAS5) e Edge, respectivamente. 
Além disso, é sócia da Commit, holding com participação em distribuidoras de gás canalizado de diferentes estados brasileiros. Por isso, diz que consegue entregar resultados sólidos em diferentes ciclos políticos.
A Compass entregou um lucro líquido de R$ 1,46 bilhão em 2025, com um Ebitda de R$ 4,9 bilhões e uma alavancagem de 2,1x. 
Além disso, a companhia distribuiu R$ 2 bilhões para os seus acionistas no ano passado. O valor considera o pagamento de R$ 500 milhões em dividendos e uma redução de capital de R$ 1,5 bilhão, com reembolso aos acionistas. Por isso, representa um payout de 137%.
O lucro líquido da Compass, no entanto, já foi maior. Em 2024, por exemplo, passou de R$ 2,1 bilhões.
Na avaliação da Fitch, a Compass desfruta de bons resultados operacionais, forte fluxo de recebimento de dividendos, alongado cronograma de vencimento de dívida e moderadas alavancagens financeiras. Porém, poderia ser pressionada a continuar distribuindo dividendos elevados à Cosan, o que ameaçaria seu fluxo de caixa.
Já a Moody's espera que a companhia mantenha uma distribuição prudente de recursos aos acionistas, de modo a não pressionar a sua qualidade de crédito e liquidez, apesar dos vínculos com a Cosan. Veja aqui a avaliação das agências de classificação de risco.

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