BC do Japão eleva taxa de juros para maior nível em 31 anos

A decisão já era amplamente esperada pelo mercado e representa um aumento de 0,25 ponto percentual.

Publicado em 16/06/2026 às 10:30h Publicado em 16/06/2026 às 10:30h por Elanny Vlaxio
O ajuste foi aprovado por sete votos a um  (Imagem: Shutterstock)
O ajuste foi aprovado por sete votos a um (Imagem: Shutterstock)
O Banco do Japão decidiu elevar sua taxa básica de juros para 1%, o maior patamar registrado pelo país desde 1995. A medida, anunciada nesta terça-feira (16), reforça a estratégia da autoridade monetária de enfrentar as pressões inflacionárias e marca mais um passo no processo de normalização da política monetária após décadas de juros extremamente baixos.
"Levando em conta que as expectativas de inflação de médio e longo prazo também continuaram a aumentar, há o risco de a inflação subjacente se desviar para acima de nossa meta de preços", diz o comunicado do banco.
A decisão já era amplamente esperada pelo mercado e representa um aumento de 0,25 ponto percentual em relação à taxa anterior, de 0,75%. O movimento ocorre em um cenário de preocupações com os impactos da alta dos custos de energia e dos riscos inflacionários associados às tensões geopolíticas no Oriente Médio.
O ajuste foi aprovado por sete votos a um ao final da reunião de dois dias do banco central japonês. O presidente da instituição, Kazuo Ueda, não participou da votação devido a uma internação para tratamento médico, cabendo ao vice-presidente Shinichi Uchida explicar a decisão ao mercado.
“Em comparação com a reunião anterior, o risco de uma deterioração acentuada da ⁠economia diminuiu. Por outro lado, os aumentos de preços estão se generalizando e há o risco de que a inflação subjacente se desvie de nossa meta”, disse Uchida em uma coletiva de imprensa 
Embora a decisão já estivesse amplamente precificada pelos mercados, ela levanta algumas questões relevantes, avaliou Sara Paixão, Analista de Macroeconomia da InvestSmart XP.  
"A primeira diz respeito à situação fiscal do Japão, cuja dívida pública se aproxima de 250% do PIB. Durante décadas, o ambiente de juros próximos de zero permitiu ao governo refinanciar seu elevado endividamento a custos reduzidos. No entanto, o aumento dos juros tende a elevar gradualmente o custo de financiamento da dívida, ampliando os desafios fiscais do país", diz.
Ela ainda acrescenta: "Outro ponto importante, com potenciais impactos sobre os mercados globais, está relacionado às operações de carry trade. Com a elevação dos juros japoneses, a atratividade dessas operações diminui, reduzindo os incentivos para a alocação de capital em mercados de maior retorno e contribuindo para um ambiente de menor liquidez global."