Saiba qual Tesouro Direto foi de querido a vilão, caindo 12% em julho de 2026

Taxas de longo prazo na renda fixa brasileira disparam e destravam prejuízos na marcação a mercado.

Publicado em 31/07/2026 às 21:16h Publicado em 31/07/2026 às 21:16h por Lucas Simões
Tesouro Renda+ 2065 foi a principal vítima da subida das taxas (Imagem: Shutterstock)
Tesouro Renda+ 2065 foi a principal vítima da subida das taxas (Imagem: Shutterstock)
Muitos investidores ainda se chocam ao perceberem no bolso que a renda fixa não é tão fixa como a nomenclatura sugere, sobretudo os investimentos no Tesouro Direto que são sujeitos à marcação a mercado. Ou seja, a depender das condições de mercado, é possível colher lucros atrativos ou amargar prejuízos evitáveis.
Não é segredo que o Tesouro Renda+ 2065 virou o título público queridinho dos investidores de renda fixa mais arrojados, uma vez que as taxas oferecidas ao longo de 2026 estão bem próximas das máximas entre IPCA+ 7% ao ano e IPCA+ 7,50% ao ano. Quando tais rendimentos caírem, o preço unitário tende a se valorizar especialmente.
Em meio ao ciclo de cortes da taxa Selic, muitos investidores de renda fixa acreditavam que não haveria grandes revezes no comportamento das taxas do Tesouro Renda+ 2065, mas foi justamente o que ocorreu em julho de 2026, tanto que o título público acumula perdas de -11,70% na marcação a mercado.
Nos extremos do mês, as taxas do Tesouro Renda+ 2065 saltaram de IPCA+ 7,06% ao ano para até IPCA+ 7,36% ao ano, o que desvalorizou o patrimônio de quem já havia emprestado dinheiro ao governo brasileiro sob condições de juros compostos menores. Por outro lado, novos aportes de dinheiro sob taxas maiores são mais rentáveis. 
E não é apenas a renda fixa brasileira que vive um momento de estresse, já que é a desconfiança dos investidores que pressiona as taxas para cima. Os títulos do governo americano (treasuries bonds) também bateram taxas recordes nesta sexta-feira (31), caso do vencimento em 30 anos (ETF UTHY), pagando 5,25% ao ano, o maior patamar desde 2007.
Já os investidores mais conservadores parecem ter levado a melhor em um período de tanta volatilidade nos mercados globais, já que o bom e velho Tesouro Selic 2031 rendeu +1,12% ao mês sem dar grandes dores de cabeça.

Rentabilidade no Tesouro Direto em julho de 2026

Títulos pré-fixados

  • Tesouro Prefixado 2029 = +1,15% ao mês
  • Tesouro Prefixado 2032 = +0,15% ao mês
  • Tesouro Prefixado com juros semestrais 2037 = -0,82% ao mês

Títulos pós-fixados

  • Tesouro Selic 2031 = +1,12% ao mês

Títulos indexados à Inflação

  • Tesouro IPCA+ 2032 = +0,39% ao mês
  • Tesouro IPCA+ 2040 = -2,92% ao mês
  • Tesouro IPCA+ 2050 = -6,27% ao mês
  • Tesouro IPCA+ 2037 (com juros semestrais) = -1,10% ao mês
  • Tesouro IPCA+ 2045 (com juros semestrais) = -1,79% ao mês
  • Tesouro IPCA+ 2060 (com juros semestrais) = -2,39% ao mês

Títulos para aposentadoria extra

  • Tesouro Renda+ 2030 = -1,85% ao mês
  • Tesouro Renda+ 2035 = -3,72% ao mês
  • Tesouro Renda+ 2040 = -5,08% ao mês
  • Tesouro Renda+ 2045 = -6,40% ao mês
  • Tesouro Renda+ 2050 = -7,44% ao mês
  • Tesouro Renda+ 2055 = -8,37% ao mês
  • Tesouro Renda+ 2060 = -9,90% ao mês
  • Tesouro Renda+ 2065 = 11,70% ao mês

Títulos para custear estudos

  • Tesouro Educa+ 2027 = +1,02% ao mês
  • Tesouro Educa+ 2028 = +0,90% ao mês
  • Tesouro Educa+ 2029 = +0,64% ao mês
  • Tesouro Educa+ 2030 = +0,19% ao mês
  • Tesouro Educa+ 2031 = -0,35% ao mês
  • Tesouro Educa+ 2032 = -0,93% ao mês
  • Tesouro Educa+ 2033 = -0,55% ao mês
  • Tesouro Educa+ 2034 = -1,99% ao mês
  • Tesouro Educa+ 2035 = -2,27% ao mês
  • Tesouro Educa+ 2036 = -2,54% ao mês
  • Tesouro Educa+ 2037 = -2,71% ao mês
  • Tesouro Educa+ 2038 = -2,85% ao mês
  • Tesouro Educa+ 2039 = -3,10% ao mês
  • Tesouro Educa+ 2040 = -3,50% ao mês
  • Tesouro Educa+ 2041 = -3,77% ao mês
  • Tesouro Educa+ 2042 = -4,03% ao mês
  • Tesouro Educa+ 2043 = -4,29% ao mês
  • Tesouro Educa+ 2044 = -4,55% ao mês