Banco do Brasília (BSLI4) afunda 72% só em 2026 e comenta sobre Banco Master

A estatal alega que foi "vítima de atos criminosos" e tenta se desvencilhar de seus ex-diretores.

Publicado em 13/09/2026 às 11:38h Publicado em 13/09/2026 às 11:38h por Lucas Simões
BRB adquiriu R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master (Imagem: Joédson Alves/Agência Brasil)
BRB adquiriu R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master (Imagem: Joédson Alves/Agência Brasil)
As ações do BRB, o Banco de Brasília (BSLI4), contabilizam prejuízo de -72% desde o início de 2026 até o fechamento do dia 11 de setembro, sendo que tais papéis sequer fazem parte mais do pregão regular da B3. Daí, a estatal divulgou uma nota oficial dirigida ao mercado neste final de semana, atualizando seu posicionamento perante a crise desencadeada pelo Banco Master.
“A atual administração do banco promoveu a renovação integral de sua diretoria executiva e adotou medidas de fortalecimento dos controles internos e da governança, incluindo a contratação do escritório Machado e Meyer com suporte técnico da Kroll para realização de auditoria forense independente para apuração dos fatos relacionados às operações investigadas”, afirmou o BRB, em nota.
Conforme a instituição financeira, a quebra do sigilo das investigações sobre o Banco Master é uma oportunidade para que o BRB se descole da imagem arranhada deixada por seu ex-CEO Paulo Henrique Costa, por cometimento de fraudes junto ao banqueiro Daniel Vorcaro, além de outros seis ex-diretores da estatal.
Até o momento, as investigações dão conta de 25 operações autorizadas pela diretoria do BRB, que permitiram a aquisição de R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito fraudulentas do Banco Master. O rombo financeiro deixado no Banco de Brasília é um dos principais motivos para a dilapidação do patrimônio dos acionistas. 
“O trabalho conduzido no âmbito do BRB colaborou significativamente para as conclusões da PF no Inquérito em curso, culminando na abertura de nova frente de investigação sobre gestão fraudulenta no Banco, praticada pelos antigos gestores”, complementa a nota oficial. 
Embora a estatal venha tranquilizar o mercado de que busca medidas cabíveis para a proteção de seu patrimônio, o ressarcimento de eventuais prejuízos e o aprimoramento contínuo de sua estrutura de governança e controles, o mercado ainda enxerga elevadíssimo risco de crédito pairando sobre o BRB.

BRB à deriva

Não é à toa que os títulos de renda fixa emitidos pelo Banco de Brasília que ainda estão nas prateleiras das corretoras de valores apresentam taxas tão esticadas em setembro de 2026, conforme consulta feita na plataforma do Investidor10.
É possível encontrar LCI emitida pelo BRB, pagando 106,50% do CDI, com vencimento em julho de 2031. Tratando-se de títulos isentos da cobrança de Imposto de Renda (IR), sua rentabilidade equivalente (gross-up) é semelhante a um CDB pagando 125% do CDI, taxa muito acima da média de mercado. 
Segundo dados do Investidor10, se você tivesse investido R$ 1 mil em Banco de Brasília (BSLI4) há dez anos, hoje você teria R$ 148,20, já considerando o reinvestimento dos dividendos. A simulação também aponta que o Ibovespa teria retornado R$ 3.146,00 nas mesmas condições.

BSLI4

BRB
Cotação

R$ 2,56

Variação (12M)

-74,22 % Logo BRB

Margem Líquida

6,74 %

P/L

1,70

P/VP

0,31