Anthropic mira IPO de US$ 100 bi e pode entrar para a história do mercado

A empresa multiplicou a receita em um ano, mas os custos operacionais e ajustes financeiros continuaram no centro das atenções.

Publicado em 26/10/2026 às 19:27h Publicado em 26/10/2026 às 19:27h por Matheus Silva
A Anthropic prepara IPO bilionário em meio à expansão do Claude (Imagem: Shutterstock)
A Anthropic prepara IPO bilionário em meio à expansão do Claude (Imagem: Shutterstock)
🤖 A Anthropic, desenvolvedora do assistente de inteligência artificial Claude, tornou público nesta segunda-feira (26) o pedido de abertura de capital nos Estados Unidos. 
A operação pode entrar para a história dos mercados financeiros, com potencial de captação de até US$ 100 bilhões e avaliação da companhia estimada em aproximadamente US$ 1,5 trilhão por investidores.
O movimento ocorre em meio à rápida expansão dos negócios da empresa, que registrou receita de US$ 16,3 bilhões no primeiro semestre de 2026. 
Ao mesmo tempo, os documentos apresentados para o IPO revelaram prejuízo líquido de US$ 80,7 bilhões no período, resultado influenciado principalmente por efeitos contábeis relacionados a instrumentos financeiros conversíveis em ações.
A companhia pretende negociar seus papéis na Nasdaq sob o código ANT. A quantidade de ações que será ofertada e a faixa indicativa de preço ainda não foram divulgadas. 
A operação também depende da análise e da aprovação do registro pela Securities and Exchange Commission (SEC), órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos.
Segundo dados da Reuters, a estreia da Anthropic pode ocorrer em meados de novembro. A oferta poderá se tornar uma das maiores da história e funcionar como um teste para o apetite dos investidores por empresas de inteligência artificial.

Receita cresceu quase 14 vezes em um ano

Os números apresentados no prospecto mostram a velocidade de expansão da Anthropic. A receita passou de US$ 1,2 bilhão no primeiro semestre de 2025 para US$ 16,3 bilhões nos seis primeiros meses de 2026, multiplicando-se por aproximadamente 13,6 vezes.
O avanço foi impulsionado pela adoção dos produtos da empresa por companhias, desenvolvedores e usuários de serviços pagos do Claude. Parte da receita está vinculada ao volume de utilização dos modelos de inteligência artificial, o que permite ampliar o faturamento à medida que cresce a demanda por processamento.
Esse formato de negócio, porém, também expõe a empresa a oscilações no consumo. A Anthropic reconheceu que clientes podem reduzir a utilização dos serviços ou cancelar contratos, inclusive por limitações orçamentárias.
Além disso, a expansão exige investimentos elevados em infraestrutura. O desenvolvimento e a operação de modelos avançados de inteligência artificial dependem de chips especializados, energia e centros de processamento de dados, o que pressiona os custos da companhia.
Para ampliar sua capacidade computacional, a Anthropic firmou acordos com empresas como Amazon (AMZN), Google (GOGL) e Broadcom (AVGO). O contrato com a Amazon prevê acesso a até cinco gigawatts de capacidade para treinar e operar os modelos Claude. 
A companhia também anunciou um plano de US$ 50 bilhões para infraestrutura computacional nos Estados Unidos.

Prejuízo bilionário foi influenciado por efeitos contábeis

O prejuízo líquido de US$ 80,7 bilhões registrado no primeiro semestre chama a atenção pelo tamanho, mas não representa integralmente o dinheiro consumido pelas operações da Anthropic.
De acordo com os dados apresentados pela VEJA, US$ 72,4 bilhões desse resultado negativo decorreram da reavaliação de instrumentos financeiros que podem ser convertidos em ações, incluindo notas conversíveis e acordos de investimento futuro.
Com a valorização da empresa, esses instrumentos passaram a ter um valor maior nos registros contábeis. A mudança foi reconhecida como despesa, embora não corresponda necessariamente a uma saída equivalente de caixa no período.
O prejuízo operacional, que considera o desempenho das atividades da companhia antes desses efeitos financeiros, foi de US$ 693 milhões no primeiro semestre de 2026. 
Portanto, apesar da influência dos ajustes contábeis sobre o resultado líquido, a Anthropic ainda não apresentou lucro em suas operações.
A empresa também reconheceu no prospecto que pode não alcançar rentabilidade ou não conseguir mantê-la no futuro. O desafio para a companhia será transformar o crescimento acelerado da receita em geração consistente de caixa, enquanto financia a expansão de sua infraestrutura.

Avaliação bilionária coloca IPO entre os maiores do mercado

A estimativa de valor da Anthropic também passou por ajustes. Investidores atuais e potenciais avaliam a companhia em cerca de US$ 1,5 trilhão, abaixo das expectativas anteriores de aproximadamente US$ 2 trilhões.
Em maio, a empresa havia captado US$ 65 bilhões em uma rodada de financiamento que a avaliou em US$ 965 bilhões, conforme as informações publicadas pelo veículo.
A expectativa de uma oferta de até US$ 100 bilhões coloca a Anthropic entre as operações mais relevantes já planejadas no mercado de ações. Para efeito de comparação, a SpaceX (SPCX) realizou em junho uma oferta de US$ 75 bilhões, que se tornou um marco no mercado de IPOs.
O desempenho da abertura de capital da Anthropic poderá influenciar a disposição dos investidores de financiar outras empresas de inteligência artificial. 
A companhia disputa espaço com a OpenAI, criadora do ChatGPT, que também apresentou documentos confidenciais para uma futura oferta pública, mas afirmou que não pretende abrir capital em 2026.
O prospecto da Anthropic deverá permitir uma avaliação mais detalhada de seus resultados, da estrutura de custos e dos riscos envolvidos no negócio. 
Entre os pontos de atenção estão a dependência de fornecedores de computação em nuvem, a necessidade de investimentos contínuos e os riscos relacionados à segurança dos modelos de inteligência artificial.
📊A operação poderá ampliar o acesso da empresa a recursos para sustentar sua expansão, mas os termos definitivos da oferta ainda não foram estabelecidos. O interesse do mercado dependerá tanto do potencial de crescimento do Claude quanto da capacidade da Anthropic de controlar despesas e demonstrar um caminho para a rentabilidade.