Após decisão de Moraes, Flávio é intimado pela PF para entregar passaporte

O senador foi intimado a entregar os passaportes e ficou proibido de deixar o país, um dia após perder a eleição para Lula.

Publicado em 26/10/2026 às 17:30h - Atualizado em 26/10/2026 às 17:34h Publicado em 26/10/2026 às 17:30h Atualizado em 26/10/2026 às 17:34h por Matheus Silva
Flávio segue senador até fevereiro de 2027 e mantém foro no STF (Imagem: Shutterstock)
Flávio segue senador até fevereiro de 2027 e mantém foro no STF (Imagem: Shutterstock)
🚨 Menos de 24 horas depois de perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes. 
Segundo o parlamentar, ele também ficou proibido de deixar o país, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
A abordagem aconteceu na manhã desta segunda-feira (26), em plena via pública. Flávio relatou que recebeu a intimação ao sair de uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília.
“Hoje de manhã fui visitar meu pai, como vocês sabem, ele está em prisão domiciliar. Quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula estava na porta da casa dele e, no meio da rua, fui intimado a entregar meus passaportes e também estou proibido de deixar o país”, afirmou o senador em vídeo publicado nas redes sociais.

Flávio atribui a decisão a declaração do irmão Eduardo

Na avaliação do senador, a medida teria sido motivada por uma declaração de seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Em entrevista concedida nos Estados Unidos na sexta-feira (23), Eduardo defendeu que Flávio deixasse o Brasil caso fosse derrotado nas urnas. 
Flávio negou ter qualquer intenção de sair do país e classificou a decisão como desproporcional. “Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte?”, questionou.
Em seguida, afirmou que vai cumprir a determinação, mas pretende contestá-la. “Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender nessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar”, declarou.
A íntegra da decisão judicial que fundamentou a intimação permanece sob sigilo.

Senador é alvo de dois inquéritos no STF

A medida ocorre em meio a duas investigações que tramitam no Supremo contra o parlamentar.
A primeira apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo plataformas de apostas e empresas ligadas ao advogado Willer Tomaz. Nessa apuração, a Polícia Federal analisa possíveis movimentações financeiras suspeitas e mecanismos de ocultação de recursos. 
Entre os elementos levantados está uma conta vinculada à empresa Alcazar Holdings, ligada ao advogado, na qual Flávio apareceria cadastrado como usuário com acesso privilegiado, identificado como master.
A segunda investigação trata do financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, caso que já havia dominado os debates da campanha presidencial. 
Mensagens e áudios analisados pela PF indicam, segundo apuração do jornal O Globo, que Flávio participou de tratativas com o banqueiro Daniel Vorcaro.
O senador nega qualquer envolvimento ilícito e afirma que sua relação com Willer Tomaz é apenas pessoal. Na semana passada, a Polícia Federal pediu prorrogação de 90 dias ao ministro André Mendonça para concluir a apuração, que envolve cooperação internacional.

Retenção de passaporte é medida usada para evitar fuga

A apreensão de passaporte costuma ser adotada pela Polícia Federal justamente para impedir que investigados deixem o território nacional.
O caso lembra um precedente recente envolvendo um aliado de Flávio. O deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) saiu do Brasil pela fronteira com a Guiana na véspera de ser alcançado por uma ordem judicial.
⚖️ Apesar da derrota eleitoral, Flávio Bolsonaro segue no cargo de senador até fevereiro de 2027, condição que mantém seu foro privilegiado no Supremo.