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Nesta terça-feira (23), a Polícia Federal saiu às ruas atrás de mais um banco. Desta vez, o alvo foi o Digimais, instituição financeira de Edir Macedo, bispo e fundador da Igreja Universal do Reino de Deus.
As investigações apontam uma série de fraudes nos negócios do banco digital, por isso a Justiça concedeu autorização para o bloqueio de R$ 670 milhões em bens dos investigados. Mais de 50 agentes foram deslocados para endereços ligados ao banco -incluindo a sede- para cumprir mandados de busca e apreensão.
A situação do Digimais já vinha se complicando nos últimos meses, com diversos indícios de que a instituição poderia ser liquidada pelo Banco Central. Nesta semana, a agência de classificação de risco Fitch retirou todas as notas que tinha para o banco, destacando uma eventual insolvência.
Em março deste ano, este Investidor10 publicou uma reportagem destacando os problemas dos títulos da instituição financeira. Naquela época, ele já apresentava "diversos problemas de governança e inconsistências relacionadas ao lastro de sua carteira de crédito", conforme destacou a reportagem.
A PF aponta que o caso do Digimais se assemelha ao e até tem relação com o Master, que ficou conhecido como uma das maiores fraudes bancárias do país. Em 2024, o banco de Edir Macedo chegou a ser vendido para Maurício Quadrado, sócio de Daniel Vorcaro, mas o negócio não foi autorizado pelo Banco Central.
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Os casos ficam ainda mais parecidos porque, supostamente, o Digimais teria usado bancos e corretoras do varejo para oferecer títulos no mercado de renda fixa. Diante de um grande número de investidores, a instituição emitia CDBs com altas taxas de juros na ideia de captar cada vez mais recursos para suas operações, mesmo não tendo de onde tirar o dinheiro para ressarcir os investidores no vencimento da operação.
O pontapé para as investigações da PF teria sido depois de um processo aberto na Justiça pelo empresário Roberto Campos Marinho Filho, da Yards Capital, que afirmou ter tido um prejuízo de R$ 500 milhões com operações do Digimais, em fevereiro deste ano. Ele destacou que teria aceitado títulos emitidos pela Fictor e pelo Master como parte de uma operação de compra de fundo de investimentos pelo Digimais, mas os papéis não tinham lastro e logo perderam seus valores.
Mas as conexões entre os dois bancos não param por aí, já que ambos tinham conexões profundas com grandes instituições religiosas do Brasil. Enquanto o Digimais funcionava como uma subsidiária da Universal, um dos sócios do Master era pastor da Igreja Batista da Lagoinha.
Até o fechamento desta reportagem, o banco não havia se comunicado por meio de sua assessoria de imprensa. Caso haja pronunciamento, este texto será atualizado.
O Digimais é uma instituição financeira de médio porte, com cerca de 150 mil correntistas, segundo os últimos balanços apresentados ao BC.
A instituição foi fundada em 1981, em Porto Alegre, carregando o nome de Banco Renner, em referência à família que a criou. Algumas décadas depois, foi adquirida pela família de Edir Macedo e, posteriormente, passou a ser chamada de Digimais.
Atualmente, o Digimais é gerenciado por um nome sem ligação com a família Macedo. O cargo de CEO está nas mãos de Aldemir Bendine, que anteriormente já havia sido presidente do Banco do Brasil e da Petrobras.
Bendine foi preso em 2017 no âmbito da Operação Lava Jato, acusado de receber cerca de R$ 3 milhões em propina da Odebrecht. Embora negue as acusações, foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, mas teve a condenação anulada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) dois anos depois.
Depois dessa crise, ele retornou ao mercado financeiro, assumindo o comando da instituição que agora está na mira da PF. Ele chegou ao Digimais em 2025, como parte dos esforços da fintech para expandir seus negócios, especialmente no mercado de consignados.
Ainda não há informações sobre uma eventual liquidação extrajudicial do Digimais, mas é necessário cautela por parte dos investidores. Na hipótese de que o Banco Central siga por este caminho, as contas da instituição serão bloqueadas quase que imediatamente.
Entretanto, por ser um banco registrado, os investidores poderão reaver seus valores futuramente, em caso de liquidação. Assim como aconteceu com o Master, Will Bank e outras instituições que passaram por este mesmo processo, o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) entrará em campo para devolver os recursos dos clientes.
É importante destacar que há uma série de regras para o seguro do FGC, como o limite máximo de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. Além disso, não são todas as categorias de saldos e investimentos que estão cobertos pela instituição.
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