Ata do Copom deixa futuro da Selic em aberto e divide mercado

Copom citou uma trajetória que combina momentos de pausa e retomada da calibração de juros.

Publicado em 23/06/2026 às 11:20h Publicado em 23/06/2026 às 11:20h por Marina Barbosa
Para o mercado, Copom pode cortar ou deixar os juros parados em agosto (Imagem: Shutterstock)
Para o mercado, Copom pode cortar ou deixar os juros parados em agosto (Imagem: Shutterstock)
O mercado esperava ter mais detalhes sobre o rumo da Selic nesta terça-feira (23), a partir da divulgação da ata do Copom (Comitê de Política Monetária). Porém, segue dividido sobre o futuro da taxa básica de juros.
O Copom cortou a Selic de 14,50% para 14,25% ao ano na última quarta-feira (17). Porém, apresentou um comunicado ambíguo, que levantou dúvidas sobre a condução da política monetária e as faz taxas futuros de juros dispararem.
🧾 Na ata dessa reunião, o Copom tentou explicar a lógica por trás dessa decisão, mas também não se comprometeu com novos cortes de juros. 
Na verdade, sugeriu que o momento atual pode exigir "diferentes momentos de pausa e retomada do ciclo de calibração" dos juros, dado o elevado grau de incertezas.
Além disso, voltou a dizer que a magnitude desse ciclo de redução dos juros "será ajustada à luz da evolução do cenário, de forma a assegurar a convergência da inflação à meta".

A avaliação do mercado

📊 Resultado: o mercado segue dividido sobre o que esperar da próxima reunião do Copom, marcada para os dias 4 e 5 de agosto.
A Ativa Investimentos, por exemplo, ainda vê espaço para um corte de 0,25 ponto percentual da Selic, que levaria os juros para 14,00%, em agosto. A XP Investimentos também projetava uma nova redução de juros, mas já diz que isso pode não acontecer.
A leitura da XP é de que "o plano de voo atual do Copom inclui a manutenção da taxa Selic em 14,25% na próxima reunião", embora não feche completamente a porta para um corte adicional de juros.
De acordo com o Boletim Focus, o maior parte do mercado já aposta na manutenção dos juros em agosto, mas vê espaço para um último corte da Selic em 2026. Por isso, projeta uma taxa de juros de 14,00% para o final do ano.

O que disse o Copom?

🏦 A ata do Copom revela que o comitê discutiu "trajetórias alternativas" para a taxa básica de juros, que exigiriam "variações abruptas de direção e de grande magnitude na Selic, seguidas de diversos trimestres com inflação abaixo da meta".
Porém, julgou mais adequado manter trajetórias "menos discrepantes" das previstas pelo mercado em relatórios como o Boletim Focus, para evitar volatilidade excessiva nos mercados financeiros e na própria atividade econômica. Porém, avisou que essas trajetórias contemplam algumas pausas no ciclo de corte de juros.
"Essas trajetórias contemplavam cenários com combinações de diferentes momentos de pausa e retomada do ciclo de calibração. Nesse caso, as flutuações de produto se mostraram menores, com a inflação convergindo para a meta no primeiro trimestre de 2028", afirma a ata do Copom.
O Copom disse ainda que o tamanho do ciclo de corte de juros será ajustado à luz da evolução do cenário, de forma a assegurar a convergência da inflação à meta, dado o elevado nível de incertezas do cenário atual.
Contudo, avalia que é preciso manter os juros altos por mais tempo para combater a inflação em um ambiente de expectativas de inflação desancoradas, como o atual.

As incertezas na mira do Copom

Na avaliação do Copom, o ambiente externo permanece incerto em função da indefinição sobre os termos do acordo para cessar a guerra no Oriente Médio, as consequências dos efeitos já materializados desses conflitos e o futuro da taxa de juros dos Estados Unidos.
Ainda há incertezas sobre o impacto de fenômenos como o El Niño na inflação brasileira e preocupação com estímulos fiscais que podem elevar o consumo no Brasil, embora o comitê reconheça o peso dos juros altos na atividade econômica doméstica.
"Para além dos efeitos dos conflitos, mantém-se, de um lado, a interpretação de uma inflação pressionada pela demanda e que requer uma política monetária contracionista e, de outro, a interpretação de que a política monetária tem contribuído de forma determinante para a desinflação observada", afirmou o Copom.
Para a CEO da Magno Investimentos, Olívia Flôres de Brás, o recado da ata do Copom é de que "o Banco Central ainda não está confortável com a trajetória da inflação nem com o comportamento das expectativas". Por isso, mantém um discurso carregado de cautela, sem se comprometer com os próximos movimentos dos juros.