A5X prepara estreia e diz que concorrência fará B3 se movimentar

Nova bolsa planeja iniciar operações no segundo trimestre de 2027 e aposta em tecnologia já utilizada em mercados internacionais.

Publicado em 25/09/2026 às 08:03h Publicado em 25/09/2026 às 08:03h por Wesley Santana
Nilson Monteiro, presidente e fundador da corretora Ideal, Karel Luketic, vice-presidente e cofundador da A5X e Carlos Ferreira Filho, CEO e cofundador da A5X (Imagem: Divulgação)
Nilson Monteiro, presidente e fundador da corretora Ideal, Karel Luketic, vice-presidente e cofundador da A5X e Carlos Ferreira Filho, CEO e cofundador da A5X (Imagem: Divulgação)

Está previsto para meados de 2027 o início da operação de uma nova bolsa de valores no Brasil. A A5X chega para concorrer em um mercado hoje dominado pela B3, que é a única responsável pelo balcão brasileiro.

No começo deste mês, a companhia concluiu uma nova rodada de investimentos, quando levantou R$ 360 milhões. Bancos como Morgan Stanley, Goldman Sachs e XP Investimentos decidiram participar da rodada Série D, que avaliou a nova empresa em quase R$ 3 bilhões.

O grande diferencial deste novo negócio é quem está por trás disso: nada mais, nada menos que a LSEG (London Stock Exchange Group). O grupo é responsável pela bolsa principal bolsa de valores da Europa e por outros mercados importantes ao redor do mundo. 

“Usamos como fundação a Bolsa de Londres, que roda mais de 30 mercados mundo afora, sendo alguns dos maiores mercados — como Singapura, Austrália e África do Sul. Londres é o maior mercado europeu, e algumas bolsas dos Estados Unidos também usam essa tecnologia”, afirma o vice-presidente e cofundador da empresa, Karel Luketic, em entrevista ao Money Times. “Então, é uma operação aprovada, testada, resiliente, que nunca apresentou um problema”.

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A expectativa pela chegada do novo produto ganha tração depois que a B3 apresentou um sério problema no final de julho. Na ocasião, os mercados foram abertos bem depois da hora normal, algo que nunca tinha acontecido na história da bolsa brasileira.

Muito se comentou justamente sobre a B3 nadar de braçadas sem nenhuma concorrência. O monopólio faz com que a empresa defina suas próprias taxas e tenha pouca pressão sobre o modelo de negócio e até a qualidade do serviço que presta.

"É nesse cenário que entra a A5X. Os frutos da concorrência serão colhidos pela A5X e pela própria B3 se movimentando”, afirma Luketic.

A nova bolsa também garante que tem capacidade para driblar um dos principais problemas da B3, que é a baixa liquidez. Com as parcerias já fechadas, a empresa deve angariar investidores domésticos e estrangeiros de forma facilitada.

“Não é à toa que escolhemos os sócios que escolhemos, como Goldman Sachs e Morgan Stanley, os maiores formadores de mercado. Além de Jump Trading, Optiver e XTX Markets, que são os maiores players no mundo de derivativos no Brasil, com participação de 30% a 40% no volume de derivativos domésticos“, detalha à reportagem.

Para entrar em operação, a A5X depende de aval do Banco Central, que já está avaliando a companhia. A previsão é que tudo esteja plenamente funcionando no segundo trimestre de 2027.