Wall Street dispara com onda azul nos EUA e Ibovespa reage a aceno fiscal de Lula

Os investidores também acompanharam a decisão do Copom de manter a Selic em 13,75% ao ano.

Publicado em 04/11/2026 às 18:48h - Atualizado em 04/11/2026 às 18:54h Publicado em 04/11/2026 às 18:48h Atualizado em 04/11/2026 às 18:54h por Elanny Vlaxio
O dólar à vista encerrou o dia em queda de 0,65% (Imagem: Shutterstock)
O dólar à vista encerrou o dia em queda de 0,65% (Imagem: Shutterstock)
O mercado financeiro desta quarta-feira (4) foi marcado por movimentos distintos no Brasil e nos Estados Unidos. Enquanto Wall Street avançou com a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato, o Ibovespa encontrou apoio no cenário externo e nas sinalizações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o ajuste fiscal. 
No Brasil, os investidores também acompanharam a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de manter a Selic em 13,75% ao ano. Na bolsa brasileira, o Ibovespa subiu 1,20%, aos 167.525 mil pontos, interrompendo uma sequência de seis pregões consecutivos de queda. 
O resultado foi favorecido pelo maior apetite por risco no exterior e pelas expectativas em torno da agenda fiscal do governo, já que, Lula deve fazer um pronunciamento à nação no domingo (8), no qual pretende assegurar que não haverá estelionato eleitoral e anunciar medidas para cumprir as metas fiscais durante seu quarto mandato, preservando os programas sociais.

Lá fora...

Em Nova York, a chamada “onda azul”, vitória democrata na Câmara dos Representantes e no Senado, impulsionou os principais índices. O Dow Jones avançou 3,03%, aos 53.356,12 pontos; o S&P 500 subiu 1,58%, aos 7.688,62 mil pontos; e o Nasdaq teve alta de 1,44%, aos 25.736,513 mil pontos. 
No mercado de câmbio, o dólar à vista encerrou o dia em queda de 0,65%, cotado a R$ 5,4518. A moeda acompanhou o enfraquecimento da divisa norte-americana no exterior, em meio à repercussão da vitória democrata.
Já no mercado de commodities, o petróleo registrou forte desvalorização: o Brent para janeiro recuou 10%, a US$ 94,62 por barril. A queda pressionou as ações das petroleiras brasileiras, incluindo Petrobras (PETR4).

E a Selic? 

No cenário doméstico, o Copom decidiu, por unanimidade, interromper o ciclo de cortes e manter a taxa Selic em 13,75% ao ano.
A decisão foi tomada nesta quarta-feira (4) pelo comitê presidido por Gabriel Galípolo. Para Lucas Magalhães, diretor executivo da GTN Group no Brasil, o equilíbrio fiscal continuará sendo um dos principais desafios para uma redução mais consistente dos juros nos próximos meses e em 2027.
“Um dos principais desafios para uma redução mais consistente dos juros nos próximos meses e em 2027 continua sendo o equilíbrio fiscal. Quando os gastos públicos permanecem elevados e a dívida segue pressionada, o espaço para flexibilizar a política monetária acaba ficando mais limitado", analisou.
Ele ainda acrescentou: "Isso porque o Banco Central precisa considerar os efeitos desse cenário sobre a inflação e as expectativas do mercado. Nesse contexto, manter os juros elevados por mais tempo pode ser necessário para garantir que uma futura redução aconteça de forma sustentável, sem a necessidade de reverter o movimento adiante.”

De olho no dólar e nos investidores estrangeiros

Na avaliação do executivo, a manutenção da taxa básica também influencia a atratividade dos ativos brasileiros para investidores estrangeiros e o comportamento do câmbio.
“Para os investimentos internacionais, a manutenção da Selic preserva a atratividade da renda fixa brasileira e tende a contribuir para a estabilidade do real. Isso acontece porque juros elevados tornam os ativos brasileiros mais atrativos para o capital estrangeiro, favorecendo a entrada de recursos no país e reduzindo a pressão de alta sobre o dólar", avaliou. 
Para o especialista, no entanto, esse efeito não é automático. "Se as incertezas fiscais aumentarem ou a percepção de risco sobre o Brasil piorar, o dólar pode continuar pressionado, mesmo com juros elevados. Por isso, acredito que o cenário mais provável, considerando apenas a manutenção dos juros, seja de maior estabilidade cambial, sem necessariamente uma queda expressiva do dólar.”