Copom mantém a Selic em 13,75% ao ano na 1ª decisão após vitória de Lula

A manutenção já era o cenário esperado, embora parte dos investidores ainda trabalhasse com a possibilidade de um corte de 0,25 ponto percentual.

Publicado em 04/11/2026 às 18:33h - Atualizado em 04/11/2026 às 18:53h Publicado em 04/11/2026 às 18:33h Atualizado em 04/11/2026 às 18:53h por Matheus Silva
A decisão foi unânime entre os diretores (Imagem: Shutterstock)
A decisão foi unânime entre os diretores (Imagem: Shutterstock)
🏦 O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (4) manter a taxa Selic em 13,75% ao ano. A escolha foi unânime entre os diretores e encerra uma sequência de cinco reuniões consecutivas de redução dos juros básicos, iniciada em março e estendida até setembro.
A decisão veio em linha com o que a maior parte do mercado projetava. Depois da mudança de expectativas provocada pelo resultado eleitoral, as apostas negociadas na B3 (B3SA3) por meio das Opções do Copom já se concentravam na manutenção da taxa no patamar atual.
Dois fatores externos ajudam a explicar a cautela do comitê. O prolongamento do conflito no Oriente Médio mantém o preço do petróleo na casa dos US$ 100 por barril, enquanto os efeitos do El Niño sobre as safras de alimentos adicionam pressão às expectativas de inflação.
No comunicado que acompanhou a decisão, o colegiado afirmou que o ambiente externo ficou mais adverso, diante dos impactos altistas sobre o petróleo e seus derivados e da política monetária mais restritiva adotada pelas economias avançadas.
O Banco Central avaliou que os riscos para a inflação continuam acima do normal, com assimetria altista. Na prática, isso significa que o comitê enxerga mais força nos fatores capazes de empurrar os preços para cima do que naqueles que poderiam puxá-los para baixo.
Entre esses elementos, o documento cita a desancoragem das expectativas, os possíveis efeitos dos preços do petróleo, uma inflação de serviços mais resistente, o câmbio depreciado e os estímulos ao consumo.

Projeções de IPCA sobem para 5,6% em 2026

As estimativas de inflação do próprio comitê também foram revisadas para cima. A projeção para o IPCA de 2026 subiu de 5,2% para 5,6%, patamar bem acima do teto da meta, de 4,5%.
Para o segundo trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária, a previsão passou de 3,2% para 3,5%. O movimento acompanha a piora das projeções do mercado. 
Nesta semana, o Boletim Focus apontou IPCA de 4% em 2028, ante 3,75% na semana anterior e bem acima da meta de 3%. Para 2026 e 2027, as estimativas estão em 5,2% e 4,8%.
No cenário interno, o Copom reconheceu uma moderação mais acentuada da atividade econômica, concentrada nos setores mais cíclicos e naqueles mais sensíveis aos juros. Ao mesmo tempo, destacou que a economia permanece resiliente, com um mercado de trabalho ainda aquecido, embora já apresente sinais de desaquecimento na margem.
O cenário fiscal também segue no radar. O comitê afirmou que continuará acompanhando os efeitos da política fiscal sobre a política monetária e sobre os ativos financeiros.

BC fala em “serenidade e cautela”

Ao justificar a pausa, o Banco Central reuniu os elementos que tornam o momento mais complexo, uma Selic já em patamar “substancialmente contracionista”, o aumento significativo das incertezas, as expectativas de inflação mais elevadas e a desaceleração mais forte da atividade doméstica.
📊 Para o comitê, essa combinação configura um cenário desafiador para a política monetária, que demanda serenidade e cautela na sua condução.