Trump elogia Brasil e diz que "todos estão indo para a direita”

O presidente norte-americano se pronunciou quando questionado sobre a possível instalação de bases militares na América do Sul.

Publicado em 02/09/2026 às 18:15h Publicado em 02/09/2026 às 18:15h por Matheus Silva
Trump comemorou a vitória do aliado Espriella na eleição colombiana (Imagem: Shutterstock)
Trump comemorou a vitória do aliado Espriella na eleição colombiana (Imagem: Shutterstock)
🚨 O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou nesta quarta-feira (2) a relação com o Brasil enquanto se gabava de ter ajudado a eleger aliados na América do Sul. 
A fala ocorreu durante um evento na Casa Branca, quando o republicano comentava uma suposta virada à direita nos governos do continente.
"Essa parte do nosso hemisfério está se mostrando muito diferente do que era. Eles deixaram de ser de esquerda e estão indo para a direita. Todos estão indo para a direita", afirmou Trump. 
"Temos um bom relacionamento com o Brasil, um bom relacionamento na verdade, com quase todos (países) eles agora. Eles têm muito respeito pelo nosso país. Há dois anos, eles não respeitavam nosso país de jeito nenhum."

Trump cita evita mencionar Lula ou Flávio Bolsonaro

A declaração surgiu após repórteres questionarem Trump sobre eventuais planos de instalar bases militares americanas na América do Sul. 
Em vez de responder diretamente, o presidente preferiu elogiar de forma genérica a cooperação dos países da região com os EUA, citando os casos de Argentina e Colômbia.
Sobre a Colômbia, Trump celebrou a eleição de Abelardo de la Espriella, aliado que recebeu apoio explícito do republicano na disputa. 
"Ótimo você mencionar a América do Sul porque, como sabe, eu apoiei um cavalheiro, o El Tigre. Gosto desse nome. Acho que isso significa que ele é um cara durão. Ele agora é o presidente da Colômbia. Não se esperava que ele vencesse. Ele era um dos 10 candidatos, não era o favorito, mas acabou vencendo e está fazendo um ótimo trabalho. Ele foi eleito. Temos várias pessoas… na Argentina, muitas pessoas que ajudei a eleger", disse, também fazendo referência indireta ao apoio dado a Javier Milei nas eleições legislativas argentinas.
No caso brasileiro, porém, Trump se limitou a mencionar um relacionamento positivo, sem citar nominalmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o processo eleitoral em curso ou seu principal opositor, o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Planalto monitora sinais de Trump com temor

A interferência declarada de Trump na eleição colombiana acendeu um sinal de alerta no Palácio do Planalto, que teme um movimento semelhante do presidente americano em relação à disputa presidencial brasileira. 
Neste ano, tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro já foram recebidos por Trump no Salão Oval da Casa Branca, mas o governo brasileiro chegou a reclamar publicamente de tentativas de ingerência eleitoral por parte da gestão americana.
Como estratégia para conter esse risco, o Planalto retomou o contato direto entre os presidentes Lula e Trump, buscando evitar uma manifestação explícita de apoio a Flávio e contornar a influência de assessores considerados hostis a Lula e próximos ao bolsonarismo, como o secretário de Estado Marco Rubio.

Trump recebe empresários brasileiros para discutir tarifas

Nos últimos dias, Trump também recebeu empresários brasileiros em Washington. Conversou com o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual (BPAC11), sobre a relação comercial bilateral e o cenário político brasileiro. 
Também recebeu novamente Joesley Batista, da J&F, para tratar da redução de tarifas sobre a carne bovina brasileira, segundo informou o Wall Street Journal.
📊 Os dois governos retomaram as negociações sobre a relação comercial e o tarifaço imposto por Trump após o telefonema entre os presidentes, cerca de um mês depois da aplicação da sobretaxa de até 37,5% sobre as exportações brasileiras.