Taxas do "Tesouro Direto dos EUA" explodem a maior nível desde 2004; como investir?

O momento único da renda fixa americana também desperta o interesse dos investidores brasileiros.

Publicado em 24/09/2026 às 16:43h Publicado em 24/09/2026 às 16:43h por Lucas Simões
É possível investir em treasury bonds diretamente ou em ETFs de renda fixa dos EUA (Imagem: Shutterstock)
É possível investir em treasury bonds diretamente ou em ETFs de renda fixa dos EUA (Imagem: Shutterstock)
O Brasil sempre foi conhecido como o país da renda fixa, mas, dessa vez, são os títulos do governo dos Estados Unidos, os treasury bonds, que estão atraindo os holofotes em 2026, atraindo até o interesse de investidores brasileiros, diante dos maiores juros compostos lá na terra do Tio Sam desde 2004.
Para se ter uma ideia do momento ímpar da renda fixa em dólar, os rendimentos oferecidos pelos treasury bonds (com vencimento em 30 anos) bateram taxa de 5,46% ao ano, o maior patamar em mais de duas décadas. Tal título do governo americano costuma balizar os contratos de hipotecas e financiamentos de longo prazo.
Outro título de renda fixa americana que serve de referência global são os treasury bonds (com vencimento em 10 anos), cuja remuneração chegou a 5,16% ao ano também nesta quinta-feira (24), alcançando sua maior marca desde julho de 2007, período que antecedeu a crise financeira global do subprime.
Até mesmo os títulos de dívida do governo americano com vencimento no curto prazo sinalizavam o apetite dos investidores por juros compostos cada vez mais estratosféricos para continuar financiando o governo Trump. Os treasury bonds (com vencimento em 2 anos) remuneravam 4,90% ao ano, perto do pico visto em 2023.
Apesar de títulos soberanos em outros países desenvolvidos também renovarem máximas nesta semana (casos como Reino Unido, França, Alemanha e Japão), a situação dos títulos do governo dos EUA é agravada por uma combinação de fatores que vão desde as tensões geopolíticas até as novas apostas do Federal Reserve sobre a taxa de juros.
“Os mercados já precificam quatro aumentos de juros nos EUA até o próximo ano; o Federal Reserve está sendo pressionado a adotar uma política monetária mais restritiva em um momento em que o risco de um erro nessa política está aumentando”, escreve a gestora americana Madison Investments, em nota. 

Como investir na renda fixa em dólar?

Caso o investidor brasileiro tenha apetite a risco para aproveitar a janela histórica de juros compostos elevados para os padrões americanos, além de incluir a dolarização do patrimônio, as corretoras internacionais, como Avenue e Nomad, já oferecem diversas opções.
Da mesma forma que é possível aqui no Brasil escolher diretamente os títulos públicos no Tesouro Direto, os brasileiros também podem investir em treasury bonds, cujos valores mínimos de aporte giram em torno de US$ 1 mil. 
Ao emprestar dinheiro diretamente ao governo dos EUA, o poupador define, no momento da compra, a taxa de remuneração e o prazo de vencimento. Diferente do Brasil, cujo carro-chefe é o Tesouro Selic, lá nos EUA, os títulos mais comuns são os Prefixados, que estão pagando taxas ao redor de 5% ao ano e mais a variação do dólar.
Popularmente, a maneira mais prática de se expor à renda fixa em dólar é mediante os ETFs de renda fixa, que pagam muitas vezes dividendos em dólar mensalmente. A seguir, o Investidor10 apresenta algumas alternativas e quais tipos de títulos costumam compor a carteira:
 

UTHY

US Treasury 30 Year Bond ETF
Cotação

$ 37,99

Variação (12M)

-5,90 % Logo US Treasury 30 Year Bond ETF