Super Quarta: corte da Selic e decisão do Fed colocam bolsa no radar

Investidores acompanham juros no Brasil e nos EUA em um dia com IBC-Br, pesquisas e movimentações em Brasília.

Publicado em 16/09/2026 às 08:10h - Atualizado em 16/09/2026 às 08:22h Publicado em 16/09/2026 às 08:10h Atualizado em 16/09/2026 às 08:22h por Wesley Santana
Taxa de juros define custo do crédito nos países (Imagem: Shutterstock)
Taxa de juros define custo do crédito nos países (Imagem: Shutterstock)

Nesta quarta-feira (16), o mercado financeiro está de olho em duas das maiores economias das Américas. Estados Unidos e Brasil decidem o novo patamar dos juros básicos de suas economias.

Em Washington, a nova decisão deve ser publicada às 15h (horário de Brasília), com uma tendência de manutenção na atual faixa entre 3,5% e 3,75% ao ano. Há especialistas que também apostam em uma subida de 0,25 ponto percentual.

Já por aqui, a situação é um pouco mais otimista, com a maior parte do mercado esperando por um corte de 25 pontos-base. Caso seja confirmado, a Selic passa dos atuais 13,75% para 13,5%.

Há, também, quem veja espaço para um corte maior, de até 0,5%, mas esse grupo é menos unânime. Essa tese ganhou mais força nas últimas semanas, depois que o IBGE divulgou que houve deflação em agosto.

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Qualquer corte, por mínimo que seja, representa um alívio para as empresas, que têm suas dívidas atreladas à Selic. Mostra, ainda, que o Banco Central tem tido êxito no objetivo de deixar a inflação dentro da meta anual, que hoje é de 3% com margem de 1,5% para mais ou menos.

Um dos principais pontos a ser analisados pelos diretores do Fed e do Copom é o preço do petróleo que voltou a crescer nos últimos dias. A commodity já ultrapassa a casa de US$ 100, o que significa ainda mais pressão inflacionária sobre os países.

“No que diz respeito ao componente de estabilidade de preços do nosso mandato, os números são mais preocupantes. Portanto, o foco principal do Fed neste momento deve ser os preços”, disse Kevin Warsh, presidente do Banco Central dos EUA.

“Como os preços continuam pressionados e o mercado de trabalho segue resiliente, nossa avaliação é que a autoridade monetária deve voltar a subir os juros na reunião da semana que vem”, afirma Felipe Mecchi, economista do C6, em relação à decisão dos EUA. 

O que esperar da bolsa?

Um eventual corte nos juros deve fazer com que as ações da B3 ganhem força. Isso porque os investidores perdem o otimismo de comprar renda fixa, já que podem lucrar um pouco mais com o mercado de ações, mesmo que seja mais arriscado.

Por outro lado, caso haja algum acréscimo, as ações domésticas devem perder fôlego. É importante destacar, porém, que o resultado do Copom sai depois do pregão, portanto, o peso da decisão só será sentido no pregão de amanhã.

De qualquer forma, parte dos investidores já estão posicionados na bolsa. Nesta terça, o Ibovespa terminou com alta de 0,54%, aos 186,5 mil pontos, sob expectativa das decisões que serão divulgadas hoje.

PIB, pesquisas e STF no radar

Essa Super Quarta ganha um contorno ainda mais relevante, pois traz também o resultado do IBC-Br, considerada a prévia do PIB (Produto Interno Bruto). Os analistas falam em uma queda de 0,10% no resultado de julho, depois de uma redução de 0,64% registrada em junho.

O dia também está cheio de atividades políticas, com pesquisas de opinião que serão divulgadas ao longo das próximas horas. Por fim, já à noite, Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) têm entrevistas marcadas na TV Record.

Já em Brasília, os olhares continuam atentos à Esplanada dos Três Poderes, e os desdobramentos da crise no STF (Supremo Tribunal Federal). O julgamento que poderia autorizar a investigação de Alexandre de Moraes por conexão com Daniel Vorcaro foi paralisado depois que o ministro Flávio Dino pediu vista do processo.