✈️ O Brasil subiu de posição no mapa global dos passaportes. Em 2026, o documento brasileiro ocupa o 49º lugar no GPI (Global Passport Index), levantamento elaborado pela consultoria Global Citizen Solutions, e se consolida como o segundo mais valorizado de toda a América Latina, superado apenas pelo Chile.
A pontuação geral alcançou 82,4 em uma escala de 100 pontos. O índice não avalia apenas a quantidade de países acessíveis sem visto.
A metodologia leva em conta três dimensões: mobilidade internacional, com peso de 50% na nota final, ambiente econômico e oportunidades de investimento, com 25%; e qualidade de vida, segurança e indicadores sociais, com os outros 25%. São 199 países analisados nesta que é a quinta edição do ranking.
Na leitura da consultoria, o Brasil apresenta um perfil desequilibrado: brilha onde depende de relações diplomáticas, mas ainda patina onde o desempenho econômico entra na conta.
"O Brasil é o exemplo de uma potência média estável, mas sua fraqueza persistente reside nos investimentos, o que serve de lembrete de que a abertura econômica não acompanhou o alcance diplomático do país", avalia Patricia Casaburi, CEO da Global Citizen Solutions.
Mobilidade é onde o Brasil mais se destaca no ranking
Nenhum outro país da América Latina supera o Brasil quando o assunto é capacidade de circulação internacional. O documento brasileiro recebeu nota 90,7 nesse pilar, o suficiente para garantir a 43ª colocação mundial e a liderança regional nesse critério específico.
O resultado reflete anos de investimento diplomático e uma agenda ativa de acordos bilaterais. Em 2026, dois movimentos se destacaram: a entrada em vigor de isenção recíproca de vistos de curta duração com a China, e a ampliação do acesso sem visto para cidadãos de países europeus e caribenhos.
Ao mesmo tempo, o governo brasileiro retomou a exigência de vistos para viajantes provenientes de EUA, Canadá e Austrália, encerrando um período de concessões unilaterais que não eram correspondidas por esses países.
Para a CEO da consultoria, esse gesto sinaliza uma mudança de postura mais ampla entre países emergentes. A expectativa, segundo ela, é de que a mobilidade passe a funcionar crescentemente como uma via de mão dupla nas relações internacionais.
A consultoria, porém, sinaliza que o Brasil pode estar se aproximando de um teto nesse pilar. Novos avanços dependerão menos de iniciativas diplomáticas convencionais e mais de acordos estratégicos específicos.
Há também um alerta concreto no horizonte. A implementação do sistema europeu ETIAS, ainda sem data definida, deverá adicionar custos e etapas burocráticas para brasileiros que viajam à Europa, o destino internacional mais procurado pelos turistas do país.
Economia limita o avanço
A distância entre o desempenho diplomático e o econômico é o principal obstáculo para que o Brasil avance de forma mais consistente no ranking global.
No pilar que avalia o ambiente de investimentos e as oportunidades econômicas, o país aparece na 81ª colocação mundial, com nota 43,9, apesar de ainda manter a segunda melhor posição da América Latina nesse critério.
Dois fatores estruturais concentram as críticas do estudo
O primeiro é a carga tributária sobre a pessoa física. Com alíquota máxima de 27,5%, o sistema fiscal brasileiro reduz a atratividade do país para indivíduos e investidores de alta renda quando comparado a destinos concorrentes.
O segundo é a renda da população, que, embora a renda nacional bruta per capita considerada pelo índice tenha crescido de US$ 14,9 mil para US$ 18,9 mil nos últimos cinco anos, o patamar ainda fica bem abaixo das economias que lideram o ranking.
A CEO da consultoria é direta ao apontar que sem reformas econômicas e ajustes tributários, o espaço para o passaporte brasileiro subir posições no ranking global será cada vez mais estreito, já que a diplomacia já entregou boa parte do que podia entregar.
Qualidade de vida ajuda a segurar a nota brasileira
O terceiro pilar do ranking, que reúne indicadores de qualidade de vida, segurança e desenvolvimento social, é outro ponto de apoio para a posição brasileira. O país ocupa a 37ª colocação mundial nesse critério, puxado principalmente pelo custo de vida e pelos índices de satisfação pessoal.
Os indicadores ambientais e os relacionados aos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) ficam em patamar moderado, mas ainda acima da média regional.
No bloco de liderança estão Chile, Brasil, Argentina, Uruguai e Costa Rica, que figuram entre a 46ª e a 57ª posição no ranking global.
O restante dos países latino-americanos ocupa posições mais baixas, prejudicado principalmente pela menor abrangência de acordos de mobilidade internacional.
O Brasil supera a média regional em todos os pilares avaliados, mas isso não basta para garantir avanços contínuos: a metodologia do GPI é comparativa, e subir posições exige evoluir mais rapidamente do que os demais países analisados.
📊Os dez passaportes mais poderosos do mundo em 2026, segundo o GPI: Suécia, Suíça, Finlândia, Alemanha, Holanda, Dinamarca, Irlanda, Reino Unido, Noruega e Singapura.