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OceanPact (OPCT3) anunciou a negociação de dois ativos de sua frota por US$ 86 milhões, em uma operação que pode reforçar a capacidade financeira da companhia e abrir espaço para uma distribuição maior de
dividendos aos acionistas.
A estimativa de analistas do Bradesco BBI é que a transação gere aproximadamente R$ 430 milhões líquidos, acima dos R$ 220 milhões considerados anteriormente em suas projeções.
O acordo envolve as embarcações CBO Energy e CBO Wiser, controladas por subsidiárias norueguesas da companhia. Cada navio foi negociado por US$ 43 milhões com um grupo estrangeiro que atua no segmento de apoio marítimo offshore.
O pagamento foi estruturado em duas etapas. A compradora deverá desembolsar um sinal equivalente a 10% do valor total em até dez dias úteis após a assinatura dos memorandos de entendimento. O montante restante será pago na conclusão da operação, prevista para ocorrer até 18 de dezembro de 2026.
A concretização do negócio ainda depende de condições contratuais, incluindo aprovações societárias das partes envolvidas, autorizações previstas nos acordos e a anuência do cliente da CBO Wiser, que possui contrato vigente com a embarcação.
Venda pode gerar valor adicional de R$ 207 milhões
A avaliação do Bradesco BBI considera que o preço negociado pelos navios representa aproximadamente 90% do valor de uma embarcação nova do tipo PSV, utilizada no transporte de suprimentos e no apoio a operações offshore. O dado chama a atenção porque os dois ativos possuem cerca de cinco anos de operação.
Com base nas estimativas do banco, a transação pode gerar aproximadamente R$ 207 milhões em valor adicional para a OceanPact, equivalente a R$ 0,44 por ação. O montante representa cerca de 5% do valor de mercado da empresa.
A expectativa de entrada de recursos também trouxe o tema dos dividendos para o centro das avaliações sobre a companhia. O Itaú BBA estima que a carga tributária efetiva sobre a operação fique abaixo da alíquota legal, devido à depreciação acelerada adotada pela CBO e ao acúmulo de prejuízos fiscais.
Esse fator poderia preservar uma parcela maior dos recursos obtidos com a venda. O Bradesco BBI estima um
dividend yield de 12% para 2026, considerando a hipótese de distribuição integral do lucro líquido aos acionistas. Trata-se, contudo, de uma projeção condicionada a essa premissa, e não de uma garantia de pagamento.
CBO continuará operando uma das embarcações
Apesar da alienação, a operação não significa necessariamente o encerramento das atividades da embarcação CBO Wiser com seu atual cliente. A conclusão da venda está condicionada ao afretamento a casco nu do navio à Companhia Brasileira de Offshore (CBO), subsidiária integral da OceanPact, pelo período restante do contrato em vigor.
Nesse modelo, a propriedade da embarcação é transferida à compradora, enquanto a CBO mantém sua operação. O atendimento ao cliente continuará nas condições contratuais atuais.
Outro aspecto considerado pelos analistas é o impacto limitado da transação sobre a oferta de embarcações no mercado brasileiro. Após a conclusão do negócio, os dois navios deverão operar fora do país. Como ambos já utilizam bandeira estrangeira, a venda também não reduzirá a tonelagem da frota da OceanPact registrada sob bandeira brasileira.
📊 A companhia informou que a operação está alinhada à estratégia de gestão ativa da frota e de alocação de capital. A efetivação do negócio e a eventual distribuição de recursos aos acionistas, porém, ainda dependem da conclusão da transação e das decisões corporativas relacionadas à destinação do caixa.