Moeda da China bate máxima em 3 anos e até pode favorecer investimentos no Brasil

Com o yuan mais forte e o dólar mais fraco em 2026, a China poderá comprar mais exportações brasileiras.

Publicado em 10/08/2026 às 15:40h Publicado em 10/08/2026 às 15:40h por Lucas Simões
VALE3 pode capturar ganhos da nova guinada geopolítica do Partido Comunista Chinês (Imagem: Shutterstock)
VALE3 pode capturar ganhos da nova guinada geopolítica do Partido Comunista Chinês (Imagem: Shutterstock)
Foi-se o tempo em que a China mantinha a sua moeda oficial, o yuan, desvalorizado de propósito para tornar suas exportações altamente competitivas. Em pleno 2026, o Partido Comunista Chinês não esconde suas ambições de tornar o yuan uma moeda de reserva global, além de atrair mais capital estrangeiro ao país.
A manchete nos jornais, que corrobora para a guinada geopolítica da segunda maior economia do planeta, se deu nesta segunda-feira (10) pelo yuan onshore, a moeda negociada dentro da China continental, ter atingido o seu maior valor contra o dólar americano nos últimos três anos, valendo 6,7433 yuans.
O yuan onshore (CNY) é altamente regulado pelo governo chinês e tem servido de plataforma para enfraquecer o dólar no mundo. Contudo, até o yuan offshore (CNH), negociado principalmente em Hong Kong e Singapura, com bem menos influência estatal, também flertava com suas máximas contra a divisa dos Estados Unidos, valendo 6,7423 yuans na paridade. 
Se antes um yuan mais fraco perante o dólar multiplicava as margens dos exportadores chineses, especialmente no setor industrial, agora com a moeda oficial da China mais cara, os produtos chineses vendidos no exterior também ficam mais caros aos compradores, o que tende a provocar um choque no principal motor de crescimento do país.
Por outro lado, o Partido Comunista Chinês provoca o barateamento de insumos e commodities importadas ao ter o yuan valorizado, o que até pode favorecer os investimentos na bolsa de valores brasileira, caso da Vale (VALE3), que tende a elevar seu volume de minério de ferro vendido aos chineses.
Um relatório publicado pelo banco americano Goldman Sachs no início do ano já alertava que o yuan operava subvalorizado.
Com a moeda chinesa atingindo máximas dos últimos três anos, cai o apelo do governo Trump contra os produtos de alta tecnologia da China, uma vez que a potência asiática não pratica mais um "dumping cambial". 

A era dos "panda bonds"

Não é coincidência que, em um momento de yuan mais forte no mundo, o governo brasileiro planeje emitir títulos soberanos na moeda chinesa, títulos de renda fixa conhecidos pelos investidores globais como "panda bonds", em alusão ao urso panda, animal símbolo do país asiático.
O Investidor10 noticiou ainda em janeiro as ambições do Tesouro Nacional em emitir dívida brasileira na moeda chinesa, embora até o momento não tenham sido divulgados nem o valor da captação nem as condições de juros compostos.
A lógica do governo brasileiro ao emitir panda bonds é aumentar a presença do yuan na carteira do Tesouro Nacional, que já é o terceiro ativo mais relevante.
Como a moeda chinesa pode oscilar em sentido diferente comparada ao dólar americano e ao euro, a diversificação funciona como uma proteção natural. Quanto mais moedas, menor a concentração de risco ao Brasil.

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