Meta admite falhas técnicas, mas nega favorecer Flávio Bolsonaro nas eleições

Empresa atribui problemas em contas ligadas à campanha de Lula a erros operacionais e afirma que seus sistemas não distribuem conteúdo com base em ideologia política.

Publicado em 17/10/2026 às 08:32h Publicado em 17/10/2026 às 08:32h por Wesley Santana
Facebook é uma das principais redes sociais usadas pelos brasileiros (Imagem: Shutterstock)
Facebook é uma das principais redes sociais usadas pelos brasileiros (Imagem: Shutterstock)

Em comunicado divulgado nesta sexta-feira (16), a Meta (M1TA34) negou as acusações de interferência nas eleições brasileiras. A empresa é acusada de favorecer Flávio Bolsonaro (PL) nas redes sociais em detrimento de Lula (PT).

Por meio de nota, a empresa disse que a suspensão de perfis ligados a Lula tem origem em falhas técnicas. Também afirmou que não toma partido nas eleições nos países onde atua.

“[A Meta] não toma partido nessa nem em nenhuma outra eleição”, escreveu a empresa. “Nossos sistemas não classificam nem distribuem conteúdo com base em ideologia política”, continuou.

A nota da empresa foi publicada como resposta ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que cobrou explicações da plataforma. Além disso, o ministro Marco Aurélio Bellizze determinou que a empresa não interfira nas eleições por meio da preferência na distribuição de conteúdo em redes sociais como Facebook, Instagram e WhatsApp.

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O tribunal foi acionado pela campanha de Lula, depois de, em 23 de setembro, a conta do presidente Lula ter sido desativada. A empresa informou que, naquela ocasião, a desativação foi realizada “por engano” por causa de uma possível tentativa de fraude.

"Em 23 de setembro, a conta de anúncios da campanha de Lula foi desativada por engano por pouco mais de uma hora, após um anúncio ter sido classificado como uma possível tentativa de se passar por um programa social do governo durante uma análise mais ampla de combate a fraudes. A análise antifraude incorreta feita sobre este anúncio foi adotada no âmbito de um acordo firmado em 13 de abril de 2026 com a Advocacia-Geral da União (AGU) para combater golpes envolvendo programas federais".

A empresa também respondeu sobre as respostas dadas por sua inteligência artificial, a Meta AI. A campanha de Lula reclamou que, quando usuários solicitam alguns comandos, o serviço não consegue concluir o pedido, mas isso acontece ao contrário quando o pedido vem em nome de Flávio.

A Meta disse que isso ocorre por "uma lacuna específica em nossas proteções, e não de viés político. “Nenhum deles reflete direcionamento político. Nenhum reflete manipulação da distribuição. Nenhum reflete uma tentativa de influenciar a eleição”, continuou.

A Meta comanda algumas das redes sociais mais usadas no Brasil, portanto, tem forte influência sobre o conteúdo que os eleitores consomem. Estima-se que a empresa tenha ao menos 147 milhões de pessoas que usam pelo menos uma das plataformas da companhia.

"Há muito tempo, a Meta alerta que as regras rígidas do Brasil para conteúdo digital aumentam o risco de aplicação excessiva e ameaçam a liberdade de expressão. Desde 2025, essas regras ampliaram a possível responsabilidade das plataformas por conteúdo e anúncios gerados por terceiros", conclui o comunicado.