Mercado eleva aposta em alta dos juros dos EUA e Trump faz ameaça

Trump ameaçou restringir o comércio internacional caso o Fed não reduza os juros americanos.

Publicado em 04/09/2026 às 15:44h Publicado em 04/09/2026 às 15:44h por Marina Barbosa
Trump pediu que o Fed seja "patriota, para variar" (Imagem: Shutterstock)
Trump pediu que o Fed seja "patriota, para variar" (Imagem: Shutterstock)
O mercado financeiro elevou a aposta na alta dos juros americanos nesta sexta-feira (4), diante de fortes dados de criação de emprego nos Estados Unidos. Porém, o presidente Donald Trump não gostou e lançou uma nova ameaça comercial.
🗣️ Trump disse que vai suspender o comércio com os países que mantêm um superávit comercial com os Estados Unidos caso o Fed (Federal Reserve) não reduza as taxas de juros americanas. 
"As taxas de juro elevadas colocam os EUA numa desvantagem muito injusta, e eu não vou permitir que isso aconteça", escreveu Trump nas redes sociais, pedindo que o Fed seja "inteligente" e "patriota".
A ameaça coloca em risco as exportações de produtos produzidos em países como China, México e Vietnã. E, na avaliação do presidente americano, teria um resultado melhor que o das tarifas.
Já o Brasil tem um déficit comercial com os Estados Unidos. Logo, estaria de fora dessa nova rodada de restrições comerciais. O país, no entanto, ainda corre o risco de ser tarifado novamente pelo governo Trump.

Crítica ao mercado

Donald Trump ainda criticou a reação dos mercados aos dados do payroll, divulgados nesta sexta-feira (3).
📊 De acordo com o payroll, os Estados Unidos criaram 162 mil postos de trabalho em agosto. Foi mais do que o dobro dos 55 mil empregos esperados pelos analistas, em uma demonstração de que o mercado de trabalho americano segue forte.
Com isso, as apostas de que o Fed vai elevar os juros americanos ainda neste mês de setembro saltaram de 49,4% para 58,4%, segundo a plataforma FedWatch. Já as bolsas americanas recuaram e o dólar disparou. 
O presidente do Fed, Kevin Warsh, já se mostrou disposto a elevar as taxas de juros para garantir o retorno da inflação americana à meta de 2% ao ano. 
O payroll reforçou essa aposta ao indicar que a alta pode não prejudicar o segundo mandato do Fed, que é o pleno emprego. Além disso, o mercado de trabalho aquecido tende a criar mais pressão sobre a inflação.
Trump, porém, refutou essa tese nas suas redes sociais, dizendo que crescimento não causa inflação e que as bolsas deveriam estar subindo como um foguete diante do payroll.
"Se continuarmos com esta teoria, nunca conseguiremos alcançar a verdadeira grandeza econômica que o nosso país merece, porque cada vez que estamos bem, as pessoas ignorantes querem interromper imediatamente este grande impulso ascendente", escreveu Trump, que classificou os dados de criação de emprego como "fantásticos".