Trump diz que teve reunião "muito boa" com Lula e prevê novos encontros

Os presidentes trataram de temas como comércio exterior e minerais estratégicos.

Publicado em 07/05/2026 às 17:41h Publicado em 07/05/2026 às 17:41h por Wesley Santana
Esse é o terceiro encontro presencial que os líderes americanos fazem em um ano (Imagem: Ricardo Stuckert/PR)
Esse é o terceiro encontro presencial que os líderes americanos fazem em um ano (Imagem: Ricardo Stuckert/PR)

Na tarde desta quinta-feira (7), o presidente Lula (PT) se reuniu com Donald Trump na Casa Branca, nos Estados Unidos. A agenda bilateral não previa assinatura de acordos, mas a discussão de temas que são caros aos dois lados.

Após quase três horas do encontro inicial, sem dar muitos detalhes do encontro, Trump disse que foi dinâmico e com discussão de vários pontos.

“Nossos representantes estão programados para se reunir e discutir certos elementos-chaves. Reuniões adicionais serão agendadas nos próximos meses”, escreveu o presidente estadunidense. 

Já o presidente Lula fez uma coletiva de imprensa, na qual detalhou os temas tratados durante a conversa com Trump. Um dos assuntos que potencialmente seriam abordados era o enquadramento de organizações criminosas como terroristas. A equipe de Lula defende um tratamento diferente para grupos como o PCC e Comando Vermelho, temendo possíveis intervenções ou ainda sanções financeiras ao país.

No entanto, Lula disse que não tratou deste tema ao longo da tarde. As conversas ficaram em temas econômicos e comericais que envovem as duas maiores economias das Américas. 

Os presidentes falaram, por exemplo, sobre a exploração de minerais críticos, que é uma das demandas mais importantes para os Estados Unidos neste momento. Questões de concorrência, como o caso do Pix, também iam permear o encontro que iniciou a portas fechadas, mas não aconteceram. 

"Disse ao presidente [Donald] Trump que não só fizemos uma coisa extraordinária aprovando na Câmara ontem a lei sobre a questão dos minerais críticos, como a aprovação de um Conselho sob a coordenação da Presidência da República, tratando a questão dos minerais críticos como uma questão de soberania nacional", disse o brasileiro.

Leia mais: Lei sobre terras raras no Brasil tem aprovação na Câmara dos Deputados

Lula chegou à Casa Branca por volta das 12h15 pelo horário de Brasília para almoçar com seu par norte-americano. Ele foi recebido por Trump em um tapete vermelho, como de costume no encontro com líderes internacionais.

O cardápio do almoço foi composto de filé bovino grelhado, acompanhado de purê de feijão preto mini pimentões doces e uma conserva de rabanete com abacaxi. De sobremesa, foi pessego caramelizado e torta de panna cotta de mel, segundo a Casa Branca. 

Uma comitiva de cinco assessores foi levada de Brasília à Washington: os ministros Mauro Vieira (Itamaraty), Dario Durigan (Fazenda), Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Wellington César (Justiça e Segurança), Alexandre Silveira (Minas e Energia), além do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Trump também selecionou cinco assessores para participar das conversas, como o vice-presidente JD Vance, a chefe de gabinete Susie Wiles e outras autoridades da área econômica, como o secretário do Tesouro Scott Bessent.

Não havia expectativa de que o encontro fosse marcado por tensões, já que os políticos conversaram ao menos quatro vezes anteriormente. O primeiro aceno público das autoridades foi realizado em uma sessão da ONU (Organização das Nações Unidas), quando deram o primeiro passo para uma reunião conjunta.

Depois disso, em evento na Malásia, Lula e Trump discutiram as relações comerciais de Brasil e EUA, no contexto de uma taxação agressiva às importações brasileiras. Em outra oportunidade, Lula e Trump também conversaram por telefone.

Imprensa internacional repercute

Diversos veículos da imprensa internacional repercutiram o encontro dos dois líderes mundiais. Muitos afirmaram que essa é uma aposta de Lula para calibrar sua disputa pela reeleição neste ano, enquanto Trump tenta controlar sua queda de popularidade pelas consequências da guerra no Irã. 

“O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva busca dissipar as nuvens de tempestade com os Estados Unidos visitando o presidente Donald Trump, com quem mantém uma relação de altos e baixos”, disse o France 24.

A CNN da Espanha disse que a viagem é importante para Lula tentar chegar a um acordo com Trump para evitar que ele seja aliado de sua oposição. “Os temas da reunião de Lula com Trump podem incluir pontos mais específicos, como minerais de terras raras e a abordagem às investigações comerciais dos EUA”, apontou.

Oposição ataca

Logo após o encontro, o senador Flávio Bolsonaro (PL) publicou um vídeo nas redes sociais em que Lula aparece oferecendo terras raras à Donald. As imagens foram criadas por inteligência artificial e satirizam uma troca de apoio para as eleições de 2026 e para barrar o enquadramento de facções como terroristas. 

Na legenda da publicação, o pré-candidato ainda escreveu: “Caiu na rede a reunião de Trump com Lula! Será que é verdade?”.