Lula pergunta se Flávio vai privatizar o SUS e critica nome para a Saúde

No debate da Band, Lula e Flávio trocaram acusações sobre o caso Master e divergiram sobre SUS, saidinha de presos e escala 6x1.

Publicado em 18/10/2026 às 22:07h Publicado em 18/10/2026 às 22:07h por Matheus Silva
Flávio admitiu que a saúde não foi o melhor resultado do governo Bolsonaro (Imagem: Shutterstock)
Flávio admitiu que a saúde não foi o melhor resultado do governo Bolsonaro (Imagem: Shutterstock)
🚨 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) ficaram frente a frente pela primeira vez nesta campanha na noite deste domingo (18), no debate promovido pela TV Band, em São Paulo. 
O encontro, a uma semana do segundo turno, começou em clima de forte tensão, com ataques sobre o caso Master e investigações envolvendo familiares, e avançou depois para temas como saúde pública, segurança e economia.
Nenhum dos dois havia participado de debates no primeiro turno. O encontro da Band em agosto ocorreu sem eles, e o debate da TV Globo previsto para 1º de outubro acabou cancelado em meio a decisões judiciais sobre suas regras. 
Na votação de 4 de outubro, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, cerca de 56,1 milhões, e Lula ficou com 45,16%, aproximadamente 53,9 milhões.

Caso Master domina o primeiro bloco

Foi Lula quem levou o caso Master para o confronto direto. O presidente cobrou explicações de Flávio sobre a relação com Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, e afirmou que o senador mentiu 43 vezes sobre o tema. 
Flávio respondeu que o dinheiro foi investido no filme "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro, e Lula rebateu de imediato. "No filme não foi", disse o petista. Segundo a investigação da Polícia Federal, foram enviados R$ 61 milhões para a obra.
Flávio reagiu com acusações contra o presidente. O senador afirmou que Lula teria recebido R$ 30 milhões de Vorcaro por meio do Instituto Lula, como contrapartida para dar ao Master acesso a fundos previdenciários de autarquias, citando reportagem da revista "Veja". 
O candidato do PL também mencionou uma reunião fechada entre Lula e o banqueiro no Palácio do Planalto e questionou o que o presidente teria prometido a Vorcaro. Lula respondeu que, na ocasião, disse ao banqueiro que ele seria preso.
Ao longo do bloco, Flávio insistiu ainda nas ligações do presidente com a lobista Roberta Luchsinger e com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, ambos investigados pela PF por suspeita de tráfico de influência.
Os dois candidatos também trocaram acusações sobre as fraudes no INSS, com Lula atribuindo o esquema ao governo Bolsonaro e Flávio afirmando que o escândalo surgiu na gestão petista.
Lula, por sua vez, questionou Flávio sobre o voto contrário à ampliação da licença-maternidade quando o senador era deputado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), pergunta que ficou sem resposta, e cobrou explicações sobre as propostas para alterar a PEC que acabou com a escala 6x1. Em um dos momentos mais tensos, o presidente elevou o tom. 
"Na verdade, o que vocês estão fazendo é trair a pátria e vocês serão julgados por isso", afirmou.

Filas do SUS abrem o segundo bloco

O segundo bloco começou com uma pergunta dos mediadores sobre saúde. Os candidatos foram questionados sobre as filas para consultas com especialistas, exames e cirurgias no SUS (Sistema Único de Saúde) e sobre como financiar a ampliação do atendimento.
Primeiro a responder, Flávio apostou na integração de dados. O senador propôs a criação de um prontuário eletrônico único, que reuniria as informações das redes municipal, estadual, federal e privada a partir do CPF de cada paciente. 
Ele também defendeu o uso de telemedicina, tecnologia e inteligência artificial para agilizar os atendimentos e voltou a falar em levar ao SUS o que chama de "padrão Einstein". Na mesma resposta, reafirmou que, se eleito, escolherá o médico Claudio Luiz Lottenberg para comandar o Ministério da Saúde.
Lula respondeu com críticas à condução da saúde no governo de Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid e questionou se a proposta do adversário significaria uma privatização do SUS. 
O presidente afirmou que sua gestão trabalha para recuperar o sistema público, criticou a indicação de Lottenberg e disse que Flávio não conhece a saúde pública, defendendo que o setor seja comandado por pessoas com experiência na área.

Saída temporária de presos opõe os candidatos

No confronto direto do segundo bloco, Flávio levou a segurança pública para o centro da discussão. O senador citou dois crimes cometidos por detentos beneficiados pela saída temporária, conhecida como saidinha, e perguntou se Lula defende a manutenção do benefício.
O presidente respondeu que é favorável à saída temporária para presos com bom comportamento, como forma de ressocialização, mas ressaltou que condenados por crimes violentos não devem ter direito ao benefício. Para Lula, o sistema prisional precisa ter como objetivo a recuperação dos detentos.

Flávio explica mudança de posição sobre a 6x1

Ainda nesse embate, Flávio voltou ao tema da escala 6x1 e justificou a mudança de posição. Segundo o senador, ele passou a apoiar o fim da jornada depois de ouvir trabalhadores ao longo da campanha. Flávio havia criticado a proposta anteriormente, mas votou a favor da PEC no Senado.
Lula aproveitou a resposta para atacar o histórico profissional do adversário e afirmou que pretende continuar concedendo aumentos do salário mínimo acima da inflação.

Flávio admite que saúde não foi o melhor resultado do governo Bolsonaro

Na segunda pergunta do confronto, Lula retomou a saúde e voltou a criticar a gestão da pandemia no governo anterior. O presidente defendeu o SUS e citou a ampliação do número de médicos e medidas para reduzir o tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento de câncer.
Flávio fez uma concessão rara. O senador reconheceu que a saúde não foi a área em que o governo de Jair Bolsonaro teve "o melhor resultado", atribuiu parte das dificuldades à pandemia e afirmou que o ex-presidente "deu o seu melhor". 
📊 Em seguida, mudou o foco para a economia e apresentou uma proposta de renegociação de dívidas de pessoas físicas e empresas.