Itaú (ITUB4) atualiza projeções e prevê Selic em 14% ao ano até o fim de 2026

Banco também revisa estimativa para o dólar e vê moeda norte-americana em R$ 5,30.

Publicado em 26/06/2026 às 10:59h Publicado em 26/06/2026 às 10:59h por Wesley Santana
Itaú é o banco privado com maior valor de mercado do país (Imagem: Shutterstock)
Itaú é o banco privado com maior valor de mercado do país (Imagem: Shutterstock)

Nesta quinta-feira (26), o Itaú (ITUB4) atualizou suas projeções para a economia brasileira. O banco fez novos cálculos para a taxa de juros e o câmbio do dólar para os próximos meses, conforme relatório divulgado pela equipe de research.

Na Selic, a previsão é que o Banco Central opte por paralisar o corte dos juros nas próximas reuniões. Diante disso, o indicador chegaria ao fim de 2026 em 14% ao ano ante os atuais 14,25%.

Ainda estão previstas mais quatro reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária) até o fim do ano. Portanto, segundo os analistas, seriam três pausas e um corte na Selic até o fim de 2026. No entanto, o banco projeta a retomada dos cortes para o ano que vem, quando o índice pode chegar a 12,5%, ainda de acordo com o relatório.

Já no campo do câmbio, a instituição revisou para cima suas expectativas em relação ao dólar dos Estados Unidos. Agora, passa a projetar uma cotação de R$ 5,30 para a moeda norte-americana, valor acima do movimento atual, de R$ 5,20, e da sua própria estimativa, que era de R$ 5,15 anteriormente.

A equipe destaca que o dólar vem se fortalecendo e que os juros norte-americanos devem se manter altos por mais tempo, depois da sinalização do Fed (Federal Reserve) de que não deve diminuí-los com rapidez. Soma-se a isso o ano eleitoral brasileiro, que deve fazer pressão sobre a divisa nacional.

Se explicou demais?

Parte desta nova visão está relacionada à última ata do Copom, que veio em um tom confuso, segundo alguns analistas do mercado. Muitas casas de análise, inclusive, alegaram não entender o cálculo do BC ao tomar a decisão de reduzir os juros em 0,25%.

Nesta quinta, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, saiu em defesa da decisão, afirmando que a autarquia teria errado ao se “explicar demais” no documento divulgado ao mercado.

"A imprensa especializada apontou com razão que o problema foi [mais] tentar explicar demais do que falta de transparência", disse Galípolo. "Em momentos de maior incerteza, é normal esse desejo por algum tipo daquilo que a gente chama de guidance, ou seja, por sinalizações do que o Banco Central fará no futuro, que ele possa sinalizar hoje o que ele fará no futuro", completou.

Durante a coletiva de imprensa, ele também tentou afastar a ideia de que a redução só foi feita por motivações eleitorais. "Se você entende como funcionam as defasagens da política monetária, não tem cabimento falar que qualquer decisão de hoje terá efeitos na economia que terão impacto na eleição", disse.