Ibovespa dispara 1,88% com ventos de Wall Street e petróleo em queda

O índice subiu 1,88% nesta quinta-feira (30), aos 177.158 pontos, em linha com a melhora externa após dados econômicos nos EUA.

Publicado em 30/07/2026 às 17:57h Publicado em 30/07/2026 às 17:57h por Matheus Silva
O dólar recuou 0,92%, encerrando a R$ 5,06 (Imagem: Shutterstock)
O dólar recuou 0,92%, encerrando a R$ 5,06 (Imagem: Shutterstock)
📈 O Ibovespa (IBOV) encerrou esta quinta-feira (30) com alta de 1,88%, aos 177.158,86 pontos, na máxima do dia, um ganho de 3.273,52 pontos. O movimento acompanhou a melhora nos mercados internacionais após dados econômicos americanos mais benignos. 
O dólar comercial recuou 0,92%, encerrando a R$ 5,061. Os juros futuros fecharam em queda por toda a curva.
O principal catalisador do dia foi a divulgação do PCE (Índice de Preços de Gastos com Consumo Pessoal) de junho nos EUA, que veio abaixo das expectativas do mercado. 
O indicador é considerado a principal referência de inflação pelo Federal Reserve na calibragem da política monetária. Os pedidos semanais de auxílio-desemprego também cresceram menos do que o esperado, contribuindo para o alívio nos mercados.
Por outro lado, a prévia do PIB americano no segundo trimestre de 2026 mostrou crescimento de 1,5% ao ano, abaixo das projeções e inferior ao PIB da Zona do Euro, que avançou 1,8% no mesmo período, apesar das incertezas geopolíticas. 
Os índices europeus terminaram no campo positivo, e Wall Street registrou altas robustas, com destaque para as ações da Microsoft (MSFT34) após balanço trimestral acima do esperado.

Oriente Médio segue em escalada

O alívio dos dados americanos foi suficiente para deixar o conflito no Oriente Médio em segundo plano. EUA e Irã seguem trocando ataques, a Arábia Saudita passou a atacar o Iraque, e um drone não identificado atingiu embarcações no Porto de Damietta, no Egito, elevando os riscos à navegação próximo ao Canal de Suez. 
Israel continuou avançando sobre território palestino. Apesar do cenário, o petróleo encerrou o dia em queda, em meio a discussões sobre a reabertura do Estreito de Ormuz.

Desemprego cai a 5,4% e arrecadação bate recorde para junho

No cenário doméstico, o desemprego recuou para 5,4%, patamar que, segundo analistas, segue travando o ciclo de cortes da Selic, embora o mercado de trabalho dê sinais graduais de esfriamento. 
O Tesouro Nacional informou déficit primário de R$ 48,178 bilhões em junho, após R$ 53,257 bilhões em maio. 
A dívida pública federal subiu 2,61% em junho, atingindo R$ 9,268 trilhões. Em contrapartida, a arrecadação federal cresceu 7,7% em junho, somando R$ 264,437 bilhões, o maior nível já registrado para o mês, impulsionada pelo petróleo.
Nos bastidores, o tema das mudanças climáticas começa a ganhar contornos econômicos concretos. Chuvas intensas voltaram a assombrar o Sul do país, com registros de tornados e inundações no Rio Grande do Sul, enquanto o litoral do Sudeste também foi afetado. A Ambev, inclusive, já sinalizou que se prepara para o El Niño mais intenso desde 1950.

Temporada de balanços

A temporada de resultados do 2T26 trouxe movimentos bruscos no pregão. A Motiva (MOTV3) foi o destaque positivo, com alta de 5,16% após surpresa positiva com o capex no balanço do trimestre.
A Usiminas (USIM5), apesar de ter registrado lucro três vezes maior no período, caiu 9,25%, penalizada por perspectivas negativas à frente. 
A Ambev (ABEV3), que reportou alta de 24,5% no lucro e anunciou R$ 1,1 bilhão em proventos, ficou no vermelho durante quase toda a sessão por resultado abaixo das projeções, mas virou no final e fechou com alta de 0,38%. 
Vivo (VIVT3) e TIM (TIMS3), que divulgaram balanços na véspera, encerraram com alta de 0,28% e queda de 0,92%, respectivamente.

Petrobras sobe 2%, Vale avança 1,4% e bancos fecham mistos

A Petrobras (PETR4) subiu 2,00%, mesmo com o petróleo em queda, contribuindo para o desempenho positivo do Ibovespa ao lado da Vale (VALE3), que ganhou 1,39% na última sessão antes de divulgar seu balanço do 2T26, previsto para após o fechamento.
Entre os grandes bancos, o Itaú Unibanco (ITUB4) avançou 2,20% e o Banco do Brasil (BBAS3) subiu 1,97%. 
O Bradesco (BBDC4) virou no final e fechou com alta de 0,22%, beneficiado pela notícia do aumento de capital. O Santander (SANB11) recuou 1,48%, ainda penalizado pelo balanço decepcionante do 2T26.
📊 A sexta-feira (31) encerra julho e traz o IPP (Índice de Preços ao Produtor) como o dado mais aguardado no Brasil.

Maiores altas

  • MBRF3: +7,80% | R$ 17,96
  • TOTS3: +5,74% | R$ 31,13
  • COGN3: +5,48% | R$ 2,31
  • MGLU3: +5,46% | R$ 5,01
  • CURY3: +5,37% | R$ 30,40

Maiores baixas

  • USIM5: -9,25% | R$ 7,55
  • CSNA3: -4,81% | R$ 4,95
  • CMIN3: -4,35% | R$ 5,72
  • BRAV3: -2,07% | R$ 20,39
  • AZZA3: -1,80% | R$ 15,86