Ibovespa cai pelo 3º dia seguido com queda da Vale e troca de ataques entre Israel e Irã

O principal índice da bolsa brasileira caiu 0,21%, pressionado pela queda nos preços da Vale e pela troca de ataques entre Irã e Israel.

Publicado em 08/06/2026 às 18:02h Publicado em 08/06/2026 às 18:02h por Matheus Silva
O dólar fechou o dia com alta de 0,45%, a R$ 5,18 (Imagem: Shutterstock)
O dólar fechou o dia com alta de 0,45%, a R$ 5,18 (Imagem: Shutterstock)
🚨 O Ibovespa (IBOV) registrou nesta segunda-feira (8) sua terceira queda consecutiva, encerrando com recuo de 0,21%, aos 168.668 pontos, uma baixa de 350,40 pontos. 
O dólar comercial subiu 0,45%, a R$ 5,18. Os juros futuros encerraram com altas por toda a curva.
Os mercados globais oscilaram ao longo do dia com a troca de ataques entre Irã e Israel. Mais tarde, o Irã declarou encerrar as operações contra Israel, condicionando a manutenção da posição a um eventual novo ataque israelense ao Líbano. 
O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, por sua vez, disse ter encerrado os ataques ao Irã, mas sinalizou que o conflito ainda não chegou ao fim. Segundo relatos, o presidente dos EUA, Donald Trump, telefonou para Netanyahu durante o dia.
O petróleo chegou a avançar mais de 4% durante o pregão, recuou ao longo da sessão, mas ainda fechou em alta. Em Wall Street, o Dow Jones encerrou no vermelho, enquanto S&P 500 e Nasdaq devolveram boa parte dos ganhos apresentados ao longo do dia.

Wall Street alerta para risco de inflação persistente

Em comentários à CNBC, William Northey, diretor de investimentos da U.S. Bank Asset Management, avaliou que "os sólidos fundamentos que existem nos EUA, baseados na força do consumidor, nos investimentos de capital e no ciclo de lucros corporativos, têm superado em grande parte os riscos associados ao conflito no Oriente Médio."
Já Callie Cox, estrategista-chefe de mercado da Ritholtz Wealth Management, alertou para a vulnerabilidade do mercado. 
"A ameaça de uma inflação persistentemente alta parece ser o risco que paira na mente de todos. O crescimento e o dinamismo superaram quase tudo desde as mínimas de março. Isso não é o que se espera em um ambiente de altas taxas de juros e alta inflação, e essas estratégias podem estar vulneráveis a decepções se as pressões de custos permanecerem elevadas", disse também à CNBC.

Focus projeta Selic em 13,50% e Super Quarta de Fed e Copom

No Brasil, o Boletim Focus elevou a projeção da Selic para 13,50% em 2026. Na semana que vem, o Copom e o Federal Reserve decidem simultâneamente suas taxas de juros em nova Super Quarta, prevista para 17 de junho. A reunião do Fed será a primeira sob o comando de Kevin Warsh, novo presidente da instituição.
Para o Bradesco BBI, a recente perda de fôlego das bolsas latino-americanas não altera o potencial da região. Após devolver todo o ganho relativo acumulado no início de 2026, a América Latina passou a negociar com desconto relevante em meio a deterioração de fluxo e sentimento, movimento que o banco classifica como excessivo.
A XP projeta o Ibovespa em 205 mil pontos ainda em 2026, com a bolsa ainda dependente de fluxo estrangeiro, mas destacando o aumento da relevância dos fatores domésticos nos próximos meses.

Vale puxa quedas; bancos recuam com exceção do Santander

A Vale (VALE3) perdeu 0,86% e foi o principal peso sobre o Ibovespa na sessão. Entre os grandes bancos, apenas o Santander (SANB11) fechou em alta, com 0,07%. O Banco do Brasil (BBAS3) caiu 0,31%, com analistas cortando projeções; o Bradesco (BBDC4) recuou 1,49% e o Itaú Unibanco (ITUB4) cedeu 0,85%.
A Petrobras (PETR4) subiu 0,64%, sustentada pela alta do petróleo. A Embraer (EMBJ3) avançou 1,58%, tentando recuperar o bom desempenho visto em 2025. 
A Braskem (BRKM5) foi o destaque positivo com alta de 1,03%, com o mercado antecipando a assunção do controle da petroquímica pela IG4. 
📊 A Cyrela (CYRE3) subiu 1,82% após a companhia aprovar nova recompra de ações.