Ibovespa cai 0,36% com Brasil na mira do tarifaço de Trump; dólar sobe

O índice voltou aos 176.010 pontos nesta quarta (15), na contramão de NY, sob temor de novo tarifaço dos EUA contra o Brasil.

Publicado em 15/07/2026 às 18:03h Publicado em 15/07/2026 às 18:03h por Matheus Silva
Os bancos foram os principais responsáveis pela queda (Imagem: Shutterstock)
Os bancos foram os principais responsáveis pela queda (Imagem: Shutterstock)
Ibovespa (IBOV) encerrou esta quarta-feira (15) em baixa de 0,36%, aos 176.010 pontos, destoando do otimismo em Wall Street em um pregão marcado pela expectativa de um novo tarifaço dos EUA contra produtos brasileiros. 
O dólar à vista fechou praticamente estável, a R$ 5,07, com alta de apenas 0,01%.
O principal fator de pressão do dia foi a notícia, divulgada pela CNN Brasil, de que o USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) recomendou ao presidente Donald Trump uma nova sobretaxação a produtos brasileiros.
Segundo a emissora, o USTR sinalizou um aumento na lista de exceções no novo tarifaço. Na última reunião entre representantes dos dois países, realizada na terça-feira (14), o representante comercial americano Greer deu as negociações por encerradas e reclamou da falta de empenho por parte do Brasil.
Para o analista Ilan Arbetman, da Ativa Investimentos, enquanto o tarifaço não é anunciado oficialmente, a bolsa brasileira foi impactada no pregão pela continuidade da tensão geopolítica no Oriente Médio e pela desaceleração do PIB da China. 
O PIB chinês avançou 4,3% na taxa anualizada no segundo trimestre, a menor variação em mais de três anos e uma desaceleração frente aos 5,0% registrados nos primeiros três meses do ano.

Bancos pressionam o índice

Entre os pesos-pesados, o setor bancário foi o principal vetor de pressão. O IFNC (Índice Financeiro) encerrou com baixa de 0,06%. O Itaú (ITUB4), com cerca de 8% de participação na carteira do Ibovespa, recuou 1,12%, a R$ 43,14.
A Vale (VALE3), por outro lado, com 11% de participação no índice, fechou em alta de 0,68%, a R$ 74,51, acompanhando o avanço de 1,13% no contrato futuro do minério de ferro para setembro, que atingiu US$ 112,53 a tonelada.
A Petrobras (PETR4), com cerca de 12% de participação na carteira, encerrou sem direção única. O Brent para setembro fechou em alta de 0,26%, a US$ 84,95 o barril, na ICE, em Londres. 
A PETR3 avançou 0,11%, a R$ 45,53, enquanto a PETR4 recuou 0,17%, a R$ 40,59.

Braskem despenca 6% com proposta de diluição de acionistas

A ponta negativa do índice foi liderada pela Braskem (BRKM5), com queda de 6,15%, a R$ 6,41. O movimento ocorreu na esteira da notícia de que um grupo de detentores de títulos da companhia apresentou uma proposta de reestruturação que prevê a diluição dos atuais acionistas da petroquímica.
A ponta positiva ficou com a Totvs (TOTS3), que avançou 4,18%, a R$ 29,92.

Inflação mais baixa nos EUA impulsiona Wall Street

No exterior, os índices americanos fecharam em alta diante da expectativa de juros mais baixos nos EUA. Os preços ao produtor (PPI) caíram 0,3% em junho, após alta de 0,6% em maio em dado revisado para baixo, segundo o Departamento de Estatísticas do Trabalho. 
Economistas consultados pelo mercado esperavam estabilidade na comparação mensal. Em 12 meses até junho, os preços ao produtor subiram 5,5%, ante alta de 6,0% em maio.
O resultado reforçou o dado de inflação ao consumidor divulgado na véspera e adiou as apostas de alta dos juros pelo Fed. O Dow Jones avançou 0,29%, aos 52.658,52 pontos. O S&P 500 subiu 0,38%, aos 7.572,44 pontos. O Nasdaq ganhou 0,62%, aos 26.269,22 pontos.
Na Europa, o Stoxx 600 encerrou com leve alta de 0,10%, aos 642,71 pontos, sem direção definida com atenções concentradas no Oriente Médio. 
Na Ásia, os índices fecharam majoritariamente em alta. O Nikkei japonês subiu 1,49%, aos 68.751,51 pontos, e o Hang Seng de Hong Kong avançou 1,40%, aos 24.681,10 pontos.