Fim de uma era? União pede falência da Dolly por dívida bilionária

Pedido envolve dívida de R$ 15,7 bilhões e foi protocolado na Vara de Falências de São Paulo.

Publicado em 02/07/2026 às 16:19h Publicado em 02/07/2026 às 16:19h por Wesley Santana
Dolly é uma das principais marcas de bebidas nacionais (Imagem: Reprodução)
Dolly é uma das principais marcas de bebidas nacionais (Imagem: Reprodução)

Uma das empresas mais conhecidas no Brasil pode ter um fim nada agradável. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) pediu a falência do Grupo Dolly, responsável pela produção de refrigerantes.

De acordo com o órgão, a empresa tem mais de R$ 15 bilhões em dívidas, montante que se arrasta há mais de 25 anos. A Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo (PGE-SP) também se juntou ao pedido, que pede o fim da empresa e foi protocolado na 2ª Vara de Falências de São Paulo.

"O objetivo principal [do pedido de falência] é garantir a estabilidade dos empregos e permitir que a empresa siga operando de forma saudável, rumo a uma nova gestão que respeite os valores do mercado", dizem as procuradorias. "Desse total, R$ 8,3 bilhões estão inscritos em dívida ativa da União; R$ 7,4 bilhões se referem à dívida ativa do estado de São Paulo; e cerca de R$ 15 milhões, ao FGTS", afirmam as procuradorias em nota enviada à imprensa.

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Os organismos dizem que a empresa teria, entre outros casos, demitido vários funcionários e os recontratado por outro CNPJ. Essa manobra seria uma maneira de driblar o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

O Grupo Dolly vem passando por um longo processo de recuperação judicial, que teve início em 2018. Segundo a companhia, este foi o único método para fugir da falência, considerando que a empresa já não conseguia arcar com seus compromissos.

Nesse meio tempo, a empresa foi acusada de fraude e até chegou a ter seus bens bloqueados pela Justiça. O fundador, Laerte Codonho, inclusive, foi preso por suspeita de fraude fiscal.

Tanto a PGE quanto a PGFN chegaram a oferecer diversas propostas de acordo, com descontos importantes, mas não houve interesse por parte da empresa. Atualmente, a empresa continua com parte dos bens bloqueados, mas o valor é insuficiente para pagar o saldo em aberto com o fisco.

A Dolly foi procurada pela reportagem, mas não se manifestou até a publicação deste texto. Caso haja posicionamento, essa matéria será atualizada.

A empresa se consolidou em âmbito nacional pela defesa de ser uma opção mais barata no segmento de bebidas. Desta forma, se apresenta com orgulho de ser 100% nacional, em comparação com marcas como a Coca-Cola, que vêm do exterior.