A Bolsa brasileira viveu muitos momentos de altas e baixas ao longo do primeiro semestre de 2026. Ainda assim, conseguiu registrar um dos melhores desempenhos do mercado global, superando até as bolsas americanas.
📈 O
Ibovespa registrou uma valorização de 16,1% em
dólares nos seis primeiros meses deste ano. Com isso, desponta na 20ª posição do ranking das bolsas que mais subiram no período, de acordo com levantamento da Austin Rating.
O desempenho supera o dos índices americanos, que avançaram no máximo 12,8% no período, e também o de bolsas como as da Espanha, Argentina e Alemanha.
Afinal, vale lembrar: o Ibovespa não conseguiu sustentar o recorde dos quase 200 mil pontos registrado em abril, mas fechou o semestre acima dos 170 mil pontos, bem além dos 160 mil pontos registrados no início do ano.
As campeãs do semestre
O levantamento da Austin Rating analisou o desempenho de 72 índices globais e revela que os maiores ganhos do primeiro semestre de 2026 vieram de mercados asiáticos que têm avançado no cenário tecnológico.
🥇 O índice Kospi da Coreia do Sul lidera o ranking, com uma valorização superior a 93%, apoiado pelo bom momento vivido por empresas ligadas à
IA (Inteligência Artificial) e semicondutores, como
Samsung e SK Hynix.
A bolsa de Taiwan, que abriga gigantes da IA, como
TSMC e Foxconn, vem na sequência, com uma alta de quase 60%. A corrida da inteligência artificial ainda impulsiona o Nikkei 225, do Japão.
Mercados como os da Nigéria, Tunísia, Hungria, Peru e Colômbia também entregaram fortes ganhos para os investidores no primeiro semestre de 2026, superando o Brasil (veja a lista ao final da reportagem).
Já a outra ponta do ranking é ocupada por bolsas de países que enfrentam desafios econômicos, como a Indonésia e a Índia, que caíram até 38% no período.
O que explica esse cenário?
🌎 Na avaliação do economista Rodolpho Sartori, da Austin Rating, os dados confirmam que o mercado tem apostado cada vez mais em IA, mas também mostram que os agentes têm procurado diversificar seus investimentos e elevado a aposta em países emergentes.
Segundo ele, esse movimento ganhou força depois que as incertezas sobre a economia americana ganharam força no governo de Donald Trump, diante da escalada das tarifas e dos conflitos geopolíticos.
"Esses movimentos criaram incertezas em relação àquela economia e outros países apareceram bem posicionados, seja com uma taxa de juros elevada, boas oportunidades na bolsa, cenários políticos mais tranquilos e menor dependência do petróleo", afirma.
Ele lembra, no entanto, que essa tendência perdeu tração na reta final do semestre, diante da redução dos conflitos geopolíticos e da perspectiva de que os juros sigam em um patamar elevado nos Estados Unidos, o que reacendeu o interesse dos investidores nos ativos americanos.
O que esperar do IBOV?
A Bolsa brasileira começou o ano em alta, diante da perspectiva de queda da
Selic. E atraiu uma enxurrada de capital estrangeiro no início da guerra no Oriente Médio, devido à valorização do
petróleo e de empresas como a
Petrobras (PETR4).
Porém, perdeu ímpeto nas últimas semanas, diante da perspectiva de encerramento do conflito e da piora do cenário doméstico, já que a persistência da
inflação reduziu as apostas nos cortes da Selic e a situação fiscal voltou a preocupar o mercado em meio à campanha eleitoral.
⚠️ Diante desse cenário e da perspectiva da manutenção de juros altos nos Estados Unidos, a expectativa de Rodolpho Sartori é de que o
Ibovespa enfrente mais volatilidade ao longo do segundo semestre de 2026.
"Temos empresas sólidas na bolsa, mas as questões domésticas ainda incomodam e devem pesar mais no segundo semestre. A eleição influencia muito o mercado, a questão fiscal está desconfortável e nenhum dos candidatos tem se posicionado de forma drástica quanto a isso", explica.
O especialista acredita, então, que o atual patamar dos 170 mil pontos parece pouco para o Ibovespa, mas acha difícil o índice voltar a flertar com os 200 mil pontos neste ano. "Há espaço para melhora, mas de forma muito gradual, sem a euforia do início do ano", acredita.
Veja as 20 bolsas que mais subiram no 1º semestre de 2026:
- Coreia do Sul (Kospi): 93,2%;
- Taiwan (TWII): 59,8%;
- Nigéria (NSE 30): 54,8%;
- Tunísia (Tunindex): 46,5%;
- Japão (Nikkei 225): 36,4%;
- Hungria (BUX SE): 35,2%;
- Romênia (BETI): 27,7%;
- Israel (TA 35): 25,8%;
- Peru (S&/BVL): 25,8%;
- Noruega (OSEAX): 23,8%;
- China (SZSE): 23,7%;
- Áustria (ATX): 22,7%;
- Tailândia (SETI): 21,9%;
- Eslovênia (SBITOP): 20,8%;
- Colômbia (FTSE): 17,8%;
- Grécia (FTSE/ATHEX): 17,8%;
- Turquia (BIST 100): 17,3%;
- Croácia (CROBEX): 17,3%;
- Bangladesh (DS30): 16,6%;
- Brasil (Ibovespa): 16,1%.
Confira o desempenho das bolsas do EUA no período:
E as 10 bolsas que mais caíram:
- Indonésia (IDX/JKSE): -38,5%;
- Índia (NIFTY 50): -13,6%;
- Ucrânia (PFTSI): -11,5%;
- Hong Kong (HSI): -11,4%;
- República Tcheca (FTSE): -7,6%;
- Sérvia (BELEX 15): -6,2%;
- Austrália (S&P/ASX 200): -5,4%;
- Islândia (OMXIPI): -5,1%;
- Rússia (IMOEX): -4,8%;
- África do Sul (JSE FTSE TOP 40): -4,3%.