FIIs engatam alta de 114% e Fiagros batem 274% em 2026; entenda a forte demanda

Ambos os pagadores de dividendos mensais aproveitam janela oportuna para novas emissões de cotas.

Publicado em 21/10/2026 às 17:16h Publicado em 21/10/2026 às 17:16h por Lucas Simões
FIIs fazem um dos seus melhores trimestres desde 2012 e Fiagros avançam rápido (Imagem: Shutterstock)
FIIs fazem um dos seus melhores trimestres desde 2012 e Fiagros avançam rápido (Imagem: Shutterstock)
Talvez tenha passado despercebido entre a maioria dos investidores o quanto os FIIs (Fundos de Investimento Imobiliário) e Fiagros (Fundos de Investimento em Cadeias Agroindustriais) têm emplacado forte demanda em 2026. Só nos nove primeiros meses do ano, as duas categorias captaram R$ 80,8 bilhões em novas emissões de cotas, bem acima do montante de R$ 35,7 bilhões no mesmo período de 2025.
Os dados divulgados pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) nesta semana evidenciam que a procura dos investidores pelos pagadores de dividendos mensais do mercado imobiliário e agronegócio foi determinante para o saldo de R$ 556,7 bilhões que as empresas captaram no mercado de capitais brasileiro (entre ativos de renda fixa e renda variável), alta de 5,3% na comparação anual.
Só as emissões de FIIs somaram R$ 70,6 bilhões em ofertas entre janeiro e setembro, alta de +114,3% na comparação anual. No terceiro trimestre, foram R$ 31,1 bilhões, o segundo maior volume trimestral da série histórica iniciada em 2012, atrás apenas do quarto trimestre de 2025. 
Por isso, não é coincidência que os gestores do TRX Real Estate (TRXF11) ambicionem uma nova emissão de cotas para captar até R$ 10 bilhões, o que seria a maior oferta já registrada na indústria dos fundos imobiliários.
Em contrapartida, os CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) acumularam R$ 29,4 bilhões até setembro, queda de -14,9% na comparação anual, sendo o principal ingrediente dos FIIs de papel. Apesar da retração, somados, FIIs e CRIs totalizaram aproximadamente R$ 100 bilhões no ano, alta de +48,2% frente a 2025.
Quanto aos Fiagros, que tentam replicar o sucesso dos FIIs ao aproximar o investidor ao agronegócio, o saldo captado nos nove primeiros meses do ano foi de R$ 10,2 bilhões, crescimento de +274,7% na comparação anual. O maior representante da categoria é o Kinea Crédito Agro (KNCA11), com valor patrimonial de R$ 2,16 bilhões.
Já os CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) recuaram 62,3%, para R$ 11,1 bilhões, diante da crise de crédito vivenciada por inúmeros produtores rurais e que vem respingando nos resultados do Banco do Brasil (BBAS3).

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