Federal Reserve não altera juros nos EUA, mas vem pressão com indicado de Trump

Kevin Warsh, o indicado por Donald Trump para comandar o BC dos EUA, já teve aprovação em comitê do Senado.

Publicado em 29/04/2026 às 15:14h Publicado em 29/04/2026 às 15:14h por Lucas Simões
Juros básicos americanos seguem na banda entre 3,50% e 3,75% ao ano (Imagem: Shutterstock/Gerado por IA)
Juros básicos americanos seguem na banda entre 3,50% e 3,75% ao ano (Imagem: Shutterstock/Gerado por IA)
O Federal Reserve, órgão americano equivalente ao nosso Banco Central, manteve a taxa básica de juros dos Estados Unidos inalterada entre 3,50% e 3,75% ao ano nesta quarta-feira (29), data em que também saberemos o novo patamar da taxa Selic aqui no Brasil.
Podemos estar diante do último comando de Jerome Powell à frente do Federal Reserve, uma vez que o indicado pelo presidente americano Donald Trump para substituir o banqueiro central, Kevin Warsh, teve o seu nome aprovado no Comitê Bancário do Senado dos EUA nesta data, com placar de 13 votos a favor e 11 votos contrários.
Agora a condução de Warsh para a presidência do Federal Reserve só depende de votação formal dos senadores americanos no plenário do Senado. Trump espera que o seu indicador consiga promover um ciclo agressivo de cortes da taxa básica de juros nos EUA, o que tende a impulsionar a economia no curto prazo, embora os atuais riscos inflacionários dificultem o caminho.
Lá nos EUA, o Federal Reserve tem um mandato duplo: manter a inflação sob controle, na meta de 2% ao ano, além de promover as condições de pleno emprego.
Ao tentar equilibrar ambas as tarefas, o atual comandante Powell coleciona inúmeras críticas por parte de Trump, o qual não vê a hora do encerramento do seu mandato à frente do Federal Reserve no próximo dia 15 de maio de 2026.
Todavia, Powell ainda pode permanecer dentro do banco central americano como um dos governadores regionais do Federal Reserve, semelhante às funções que os demais diretores do nosso Banco Central exercem. 
Para além das questões políticas, o novo xerife do Federal Reserve terá de lidar com um mundo cada vez mais inflacionário, diante do atual choque do petróleo provocado pelo estrangulamento do Estreito de Ormuz, passagem marítima responsável por 20% das exportações mundiais da commodity. 
A cotação do petróleo tipo Brent, referência internacional utilizada pela Petrobras (PETR4), disparava +7,29% nesta Super Quarta, beirando a barreira psicológica dos US$ 120 por barril, dobrando de preço no acumulado de 2026.

Maior dissidência desde 1992

A decisão dos membros do Federal Reserve nesta quarta-feira (29) foi marcada pela maior dissidência desde outubro de 1992, uma vez que o placar pela manutenção dos juros foi de 8 votos a favor e 4 votos contrários, que já pressionam por novos cortes.
Entre os que já defendem uma redução de 25 pontos-base está o banqueiro Stephen Miran, que, desde a sua chegada ao Federal Reserve em setembro de 2025, tem sido contrário à política contracionista de Jerome Powell.
“Ao considerar a extensão e o momento de ajustes adicionais à meta para a taxa de juros dos fundos federais, o Comitê avaliará cuidadosamente os dados recebidos, a evolução das perspectivas e o equilíbrio de riscos,” destaca trecho da decisão do Federal Reserve. 
O entendimento dos banqueiros é de que a inflação americana está elevada, como reflexo em parte do recente aumento dos preços globais de energia.
Trata-se da terceira decisão consecutiva por manter os juros básicos americanos inalterados, após três reduções realizadas ao longo de 2025.