EUA negam interferência nas eleições brasileiras e chamam de "visita de rotina"

Em nota, os EUA chamaram a viagem de "visita de rotina" e rebateram acusações de ingerência, classificando-as como "mentira sem fundamento".

Publicado em 25/07/2026 às 21:53h Publicado em 25/07/2026 às 21:53h por Matheus Silva
O Itamaraty recusou os vistos após revelações do Washington Post (Imagem: Shutterstock)
O Itamaraty recusou os vistos após revelações do Washington Post (Imagem: Shutterstock)
🚨 O Departamento de Estado americano se pronunciou neste sábado (25) para rebater as acusações de que uma missão diplomática planejada ao Brasil teria como objetivo questionar a integridade do processo eleitoral brasileiro. A declaração veio em resposta à decisão do Itamaraty de negar entrada a dois funcionários da pasta americana.
Por meio de comunicado oficial, o governo dos EUA caracterizou a proposta como uma "visita de rotina" e rejeitou as alegações de interferência, descrevendo-as como "mentira sem fundamento." 
A comitiva que viajaria ao Brasil entre 27 e 30 de julho era composta pelo secretário-assistente Riley M. Barnes, chefe do Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho (DRL), e pelo subsecretário-assistente Samuel Samson.
De acordo com o comunicado americano, a agenda previa encontros com integrantes da administração federal, lideranças religiosas e entidades da sociedade civil, com enfoque em temas como integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão.
"Qualquer insinuação de que a visita seria uma 'manobra' para minar as eleições de uma nação democrática é uma mentira sem fundamento. Tratava-se de uma visita de rotina, em conformidade com as atribuições legais do DRL", afirmou o porta-voz do Escritório de Imprensa do Departamento de Estado.

Brasil negou vistos após revelações sobre o real propósito da missão

O Itamaraty recusou os vistos após revelações do Washington Post, que divulgou informações de funcionários de ambos os governos indicando que o propósito real da visita seria questionar a confiabilidade e a transparência do sistema eleitoral brasileiro. 
O Estadão confirmou ao jornal que a entrada foi negada para Riley Barnes e Samuel Samson, ambos citados nas conversas de oficiais dos EUA com a imprensa americana.
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) confirmou ter sido procurado pela embaixada americana para coordenar encontros, mas disse não ter recebido detalhes prévios sobre o assunto. A agenda não foi formalizada devido ao recesso judiciário em vigor no período.
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, já havia se reunido com embaixadores em junho para apresentar o funcionamento das urnas eletrônicas brasileiras, reforçando a segurança do sistema. 
O tribunal informou que promoverá novo encontro com representantes diplomáticos em 17 de agosto, dentro de sua sede, e confirmou que a delegação americana será convidada para participar.

Quem são Riley Barnes e Samuel Samson

Nascido em Uvalde, no Texas, Riley Barnes se formou em Ciência Política pela Universidade Washington and Lee e possui mestrado em Relações Internacionais.
No Departamento de Estado, ocupa o cargo de subsecretário do Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho desde 2025, tendo sido indicado por Marco Rubio para atuar também como Coordenador Especial dos EUA para Questões Tibetanas e como Embaixador Extraordinário para a Liberdade Religiosa Internacional. 
Barnes iniciou sua trajetória no Departamento de Estado em 2018, passando por funções como conselheiro sênior para Assuntos Políticos e redator-chefe de discursos do secretário.
Samuel Samson, de 27 anos, é subsecretário-adjunto de Estado para o DRL desde 3 de maio de 2026. Filho de mãe filipina e pai americano, nasceu no Texas e se formou na Universidade do Texas em Austin, onde se especializou em teoria do direito natural e sua interseção com políticas públicas. 
Samson é conhecido por seu ativismo conservador desde cedo: ainda no ensino médio, candidatou-se ao conselho estudantil com o slogan inspirado no MAGA. Na universidade, trabalhou como assessor do senador republicano Ted Cruz durante um verão. 
Seu ativismo religioso o levou ao grupo político American Moment, ligado ao vice-presidente JD Vance, onde atuou por quase três anos como diretor de parcerias estratégicas. 
📊 Nomeado por Trump em janeiro de 2025, Samson produziu relatórios que, segundo críticos, abordavam direitos humanos a partir de uma perspectiva partidária, e viajou por África e Europa promovendo a política externa da administração Trump e fortalecendo relações com grupos de direita.