🎓 O governo de Donald Trump abriu uma nova frente de pressão sobre as universidades mais prestigiadas dos Estados Unidos.
Nesta quinta-feira (8), autoridades americanas anunciaram investigações sobre portadores de vistos de intercâmbio em nove das principais instituições de ensino superior do país, entre elas Harvard, Stanford e o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). A apuração mira suspeitas de fraude envolvendo especificamente os vistos J-1.
No ambiente universitário, esse tipo de autorização costuma ser concedido a candidatos internacionais a doutorado e a pesquisadores visitantes, perfis que compõem uma parcela relevante dos quadros acadêmicos e científicos das grandes universidades americanas.
O anúncio foi feito em entrevista coletiva por Anthony D'Esposito, inspetor-geral do Departamento do Trabalho, que deixou claro que o prestígio das instituições não vai protegê-las. "Ninguém terá tratamento especial só porque seu nome está gravado em um prédio caro", afirmou.
Yale, Brown, Caltech e outras seis completam a lista
Além de Harvard, Stanford e MIT, a lista de instituições investigadas inclui Yale, Brown, a Universidade de Pittsburgh, o Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), a Universidade Estadual do Arizona (ASU) e a Universidade da Califórnia em Davis (UC Davis). Representantes das universidades não responderam de imediato aos pedidos de comentário.
A amplitude da lista, que reúne universidades privadas tradicionais e grandes instituições públicas, indica que a investigação não se limita a um grupo específico, mas alcança diferentes perfis de centros de pesquisa do país.
Governo vê questão de segurança nacional
Ao justificar as investigações, D'Esposito apontou o elevado número de cidadãos estrangeiros em programas de doutorado e bolsas de pesquisa como uma possível preocupação de segurança nacional.
O inspetor-geral fez uma referência direta à China ao defender a necessidade de maior controle sobre o acesso de pesquisadores internacionais às instituições americanas.
"O Partido Comunista Chinês não precisa arrombar as portas dos nossos laboratórios de pesquisa se as próprias instituições estiverem dispostas a deixá-las escancaradas", declarou.
Big techs também entram na mira
As medidas anunciadas na mesma coletiva não ficaram restritas ao meio acadêmico. O governo também suspendeu um programa de imigração utilizado por várias grandes empresas de tecnologia, incluindo a
Microsoft (MSFT34), sob a alegação de fraude e abuso no sistema de vistos de trabalho.
Um dia antes, na quarta-feira (7), autoridades já haviam proposto a criação de uma taxa de até US$ 100 mil para estudantes internacionais que desejam ingressar em um popular programa temporário de trabalho após a graduação.
A proposta deve afetar tanto as universidades, que dependem da atratividade desse tipo de programa para captar alunos estrangeiros, quanto as grandes empresas de tecnologia, que costumam recrutar esses profissionais recém-formados.
As novas investigações fazem parte de um movimento mais amplo do governo federal contra a presença de pesquisadores internacionais e contra a influência estrangeira nas universidades americanas.
Nos últimos meses, diversas agências federais abriram apurações sobre doações vindas do exterior para instituições como Harvard e Duke, e autoridades sinalizaram que novas ações podem ser adotadas.
Plano prevê formar mais cientistas americanos
Em paralelo ao endurecimento sobre os estrangeiros, o governo Trump também anunciou, na quarta-feira, uma iniciativa para formar mais cientistas americanos em programas de doutorado nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, conhecidas pela sigla STEM.
📊 Esses cursos estão entre os que concentram as maiores proporções de estudantes estrangeiros nas universidades do país, justamente o perfil que passou a ser alvo das novas investigações.