Valorização de até 900%: Quais empresas na B3 mais sobem no Lula 3
Einar Rivero, CEO da Elos Ayta, elabora estudo que aponta quais ações brasileiras mais se deram bem nos últimos 3 anos.
Basta alguns minutos nas redes sociais para ver o relato de um brasileiro que migrou para o Paraguai ou de uma empresa que mudou suas operações para o país vizinho. Essa onda de sucesso de Assunção foi motivada por um movimento do governo local para atrair investimentos estrangeiros.
Tudo começou com a imposição da Lei da Maquila, que concede isenções tributárias para companhias que decidem começar a produzir por lá. Esse método já havia sido adotado por países como México, que decidiu atrair marcas que antes estavam nos Estados Unidos.
Essa legislação prevê que empresas fabricantes industriais, por exemplo, paguem apenas 1% sobre o valor agregado de seus produtos. Na prática, estão isentas de Imposto de Renda, taxas sobre dividendos e até sobre a importação de matéria-prima para suas fábricas.
Outros países da Ásia também se utilizaram desta ferramenta para ampliar sua industrialização e atrair mais investimentos. Com isso, marcas de economias desenvolvidas passaram a enxergar mais benefícios em migrar para onde têm mais incentivos fiscais.
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No Brasil, um modelo parecido foi imposto na década de 1960, quando foi criada a Zona Franca de Manaus. Ao produzir localmente nesta região, as empresas ganham isenções importantes, como dos tributos federais IPI, PIS, COFINS e Imposto de Importação.
No entanto, com Donald Trump de volta ao poder, esses sistemas estão ameaçados, já que o presidente quer que as empresas voltem a produzir no país. Por isso, no ano passado, aplicou uma taxa de importação para parte dos produtos feitos no exterior e que chegam aos EUA.
A ideia de Trump é que as companhias voltem a investir na produção local, atraindo mais investimentos e, consequentemente, gerando mais empregos no país.
No caso do Paraguai, um dos maiores impactados é o Brasil, considerado o gigante da América do Sul. Estima-se que mais de 230 empresas já teriam migrado suas operações para o outro lado da fronteira, conforme dados do Poder360.
O Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai diz que 7 em cada 10 empresas que aderiram ao programa de maquila são oriundas do Brasil. No total, são 320 companhias dentro da iniciativa, que geram, em média, US$ 1,2 bilhão em exportações.
O Paraguai também passou a entrar no radar de muitos brasileiros que querem começar uma nova vida. A carga tributária para o consumidor final chama a atenção de muita gente, considerando uma diferença de quase o dobro na comparação com o Brasil.
Com isso, os pedidos de residência de cidadãos tupiniquins têm aumentado nos últimos anos, conforme dados oficiais. No ano passado, 23,5 mil pessoas solicitaram permissão para morar em Assunção e em outras cidades, contra 10 mil que fizeram o mesmo pedido em 2020.
Neste caso, envolve também uma questão política, já que o país tem uma inclinação maior ao conservadorismo, conforme mostraram os últimos pleitos. O atual presidente é Santiago Peña, eleito em 2023 pelo Partido Colorado, um dos principais representantes da direita na América Latina.
"Vou ter mais liberdade tanto para empreender como para fazer as aulas extracurriculares com eles", diz Marluize, se referindo à educação domiciliar, em entrevista à BBC News. "Todos os lugares têm coisas boas e ruins, mas aqui tem um pensamento mais conservador. Caiu a tarde, os jovens estão conversando e brincando na rua. É diferente de estar bebendo e fumando, sabe?", completou.
"A gente prefere um Estado menor, com menos intervenção na economia, menos intervenção na nossa vida pessoal. Isso significa que o Paraguai não tem uma saúde planificada como no Brasil, mas, ao mesmo tempo, você tem um plano de saúde top de linha com um preço muito mais acessível", defende Miriam, outra entrevistada. "Eu prefiro essa maneira de viver. Eu vou escolher onde o meu dinheiro vai e onde vou investir na minha educação e saúde.”
Mas há quem se arrependa da decisão e já pense em voltar ao Brasil depois de uma experiência paraguaia. É o caso de Leonardo Ribeiro, de 22 anos, que saiu de São Paulo no começo deste ano em direção à Ciudad del Este, cidade conhecida pelas compras.
"Eu acho que o pessoal deu uma magia a mais pela internet, pelos vídeos sobre o Paraguai. Mas não achei muita diferença do Brasil, não", diz. "Eu vim mais pela questão econômica, para ver se mudava um pouquinho de patamar. Até vale a pena ficar aqui, mas, particularmente, prefiro o meu Brasil", conta ele, que pretende voltar ainda em 2026 para sua cidade natal.
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