Eleições 2026: Ronaldo Caiado defende anistia e promete rever reforma tributária

O candidato à Presidência da República pelo PSD foi entrevistado pelo "G1" nesta sexta-feira (7).

Publicado em 07/08/2026 às 18:16h Publicado em 07/08/2026 às 18:16h por Elanny Vlaxio
A entrevista ocorreu em meio à divulgação da nova pesquisa Genial/Quaest (Imagem: Gabriel Pinheiro / CNI)
A entrevista ocorreu em meio à divulgação da nova pesquisa Genial/Quaest (Imagem: Gabriel Pinheiro / CNI)
O pré-candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) foi entrevistado nesta sexta-feira (7) pelas jornalistas Andréia Sadi e Natuza Nery. A conversa faz parte da série de entrevistas com os cinco candidatos mais bem colocados na pesquisa Datafolha divulgada em 24 de julho. 
Renan Santos (MBL) participou na quarta-feira (5), Romeu Zema (Novo) foi entrevistado na quinta (6), enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu não participar. Já Flávio Bolsonaro (PL) ainda não confirmou se aceitará o convite para a entrevista marcada para segunda-feira (10).
Durante a entrevista, Caiado abordou temas como anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, reforma tributária, ajuste fiscal, segurança pública, tarifaço dos Estados Unidos e política externa.

Anistia aos condenados do 8 de janeiro

Ao ser questionado por Andréia Sadi sobre a declaração de que pretende conceder anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro como primeiro ato de um eventual governo, Caiado afirmou que a medida teria como objetivo encerrar o tema no debate político.
"Essa medida é uma medida que tem o sentido de pacificar o país", afirmou. Na sequência, acrescentou: "No momento em que eu promover a anistia. Este assunto sai da pauta e nós vamos viver um outro momento."

Reforma tributária, impostos e ajuste fiscal

Na área econômica, Caiado defendeu uma revisão da reforma tributária, com foco na redução da burocracia e na preservação da autonomia dos estados. Entre os pontos criticados, citou o Split Payment, mecanismo previsto na reforma para alterar a forma de recolhimento dos impostos sobre o consumo.
O candidato também afirmou que não pretende aumentar impostos e disse que pretende concentrar esforços na redução dos gastos públicos. "Precisamos focar na contenção das máquinas", afirmou.
Segundo Caiado, a intenção é avaliar a eficiência de cada programa antes de definir sua continuidade. Ele também lembrou que realizou uma reforma da Previdência durante sua gestão no governo de Goiás.
Ao comentar a revisão da reforma tributária, declarou: "Eu vou revisar todos esses pontos que hoje estão penalizando a iniciativa privada." Segundo ele, o objetivo é "rever pontos que são fundamentais para que diminua a burocracia". Questionado sobre como faria um ajuste fiscal, afirmou que pretende iniciar o mandato promovendo cortes administrativos. 

Privatizações 

Ao ser questionado sobre privatizações, o candidato afirmou que pretende privatizar os Correios e que avalia a possibilidade de vender segmentos da Petrobras (PETR4). Segundo ele, a estatal apresenta um desempenho abaixo do esperado na exploração de gás natural, embora faça um bom trabalho na exploração de petróleo em águas profundas.

“Eu não uso o gás nem pra fazer amônia. Nem para usar o gás como elemento alternativo de energia. Então, este lado, a Petrobras está deixando a desejar. Agora, em relação a [exploração em] águas profundas, ela é a top no mundo hoje.

O candidato, porém, descartou a privatização do Banco do Brasil (BBAS3) e da Caixa Econômica Federal (CXSE3).

“Correios, sem dúvida [privatizaria]. Banco do Brasil, de maneira nenhuma, porque tem um poder ainda de contemplar regiões de maior carência no Brasil, [garantindo] acesso a esse sistema de crédito, que é muito importante. E Caixa, de maneira alguma [privatizaria]”, afirmou.

Segurança pública e proposta de polícia transnacional

Na área de segurança, Caiado voltou a defender uma postura mais rígida no combate ao crime organizado.
O candidato afirmou ser contrário ao uso de câmeras corporais por policiais militares. "Em vez de ela dar liberdade para o polícia ir para o confronto com o bandido, ele prefere se resguardar", afirmou.
Caiado também apoiou a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Caso seja eleito presidente, disse também que pretende criar uma nova polícia com atuação transnacional envolvendo o Brasil e os dez países que fazem fronteira com o território brasileiro. 
Segundo ele, a proposta prevê uma força policial capaz de atuar de forma integrada entre esses países. "Como presidente, eu vou fazer um périplo pelos dez países limítrofes com o Brasil. É a mesma coisa que a Europa fez. Eu não estou inventando a roda. Eu quero criar essa polícia na América do Sul. Eu quero ter uma polícia que possa transitar”, afirmou.

Tarifaço de Trump e relações com os Estados Unidos

Ao comentar a tarifa imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros, Caiado afirmou que a medida é prejudicial ao agronegócio nacional e defendeu a diplomacia como principal instrumento de negociação. "O país não quer briga, ele quer convivência, ele quer diplomacia", afirmou.
“Retaliar os americanos? Acabar com o resto das exportações que nós temos e perder todos os investimentos americanos? Alguém em sã consciência falaria uma asneira dessa?”, disse.
Segundo Caiado, uma retaliação poderia prejudicar as exportações brasileiras e os investimentos norte-americanos no país. Como alternativa para fortalecer as negociações, mencionou as reservas brasileiras de terras raras pesadas.
“Hoje, fora da China, quem é que tem terras raras pesadas? Não terras raras, isso é comum. Mas quem tem? Hoje nós não sabemos, porque o presidente da República não sabe nem negociar, porque não se tem nenhum mapeamento do subsolo brasileiro”, disse.

Cenário eleitoral

A entrevista ocorreu em meio à divulgação da nova pesquisa Genial/Quaest. Segundo o levantamento, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera a corrida eleitoral com 39% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), com 30%. Na sequência aparecem Renan Santos (Missão), com 4%; Ronaldo Caiado (PSD), também com 4%; e Romeu Zema (Novo), com 2%.