Comprar uma casa já ficou mais cara no Brasil, devido à recente disparada dos juros futuros.
A reeleição de
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou a incerteza fiscal no mercado, fazendo com que os investidores cobrassem taxas maiores para financiar o governo brasileiro.
Os bancos não ignoraram o movimento porque, conforme disse o Itaú, "como o financiamento imobiliário depende de recursos captados no mercado, seus custos estão sujeitos a essas variações".
"O ajuste busca refletir as condições atuais de captação e preservar a sustentabilidade das operações", declarou o Itaú em nota, ao confirmar o aumento das taxas do crédito imobiliário.
O Bradesco também atualizou as taxas máximas de suas linhas de crédito imobiliário citando o "aumento verificado nas taxas de juros do mercado".
Na mesma linha, o Santander disse que "acompanha regularmente os indicadores econômicos e as condições do mercado imobiliário e avalia continuamente as condições de seus produtos de crédito".
Bradesco e Itaú ressaltaram ainda que as taxas variam de acordo com o perfil e o relacionamento do cliente com a instituição, além das características da instituição. Além disso, prometeram continuar oferecendo condições competitivas para os seus clientes dentro desse cenário.
Vem mais aumento por aí?
Porém, a expectativa no mercado é de que mais bancos sigam o caminho de Bradesco, Itaú e Santander e elevem as taxas cobradas no financiamento da casa própria.
Especialista em investimentos e sócio da GT Capital, Josias Bento explicou que muitos fatores apontam para a manutenção de juros altos no Brasil, desde as incertezas fiscais até as projeções para os juros americanos e o possível impacto inflacionário da recente alta do
petróleo.
"São fatores que os bancos olham e não enxergam uma luz no fim do túnel para ter juros menores, por isso essa antecipação do risco aumentando as taxas do crédito imobiliário", afirmou.
Especialista em mercado de capitais e sócio-fundador da AW Capital, Augusto Parente acrescentou que "quando grandes players puxam esse movimento, os demais tendem a acompanhar".
O impacto no balanço
Para Josias Bento, quem deseja comprar um imóvel neste momento deve procurar outras ferramentas, como o consórcio ou o pagamento à vista, se possível.
💲 Porém, como muitos brasileiros não têm renda disponível para isso, impactos negativos são esperados nos próximos resultados dos
bancos e das
construtoras listadas na B3.
Augusto Parente acredita que o volume de contratos e de crédito imobiliário concedido pelos bancos tende a diminuir diante das novas taxas, o que se refletirá em uma demanda menor para as construtoras.
"Os bancos têm sido mais impactados pela inadimplência nos últimos trimestres, mas a queda do volume de contratos pode começar a aparecer nos próximos meses", afirmou Parente.
Além disso, as instituições financeiras podem ter que ampliar as despesas com previsões para devedores duvidosos, já que a alta dos juros deve elevar o risco de inadimplência, segundo Josias Bento.
Ou seja, os efeitos negativos podem se sobrepor à possibilidade de uma receita maior, devido às taxas mais elevadas. Ademais, os analistas projetam uma pressão redobrada sobre o setor de construção civil diante desse cenário.
"Estamos cautelosos em relação ao segmento e acreditamos que deve sofrer consideravelmente nesse cenário de juros ainda mais altos e elevação do custo de crédito", afirmou Parente, lembrando que as ações das construtoras já caíram até 50% depois das eleições, devido à alta dos juros futuros.